sexta-feira, 24 de abril de 2009
Cotidiano
Corpos buscando a atenção do firmamento; tento respirar como criança, mas não aprendo. Retocado em maquiagens profanas enxergo o povo e seus ritos cabais. Descortino a sala de espera permeando sentidos e sonhos fatais. Seus olhos descolorem e de forma machadiana dão ao amanhecer duas auroras. Carrego nas costas a culpa de não ter errado jamais. Deito e durmo; choro. Não sou capaz.
No dia primeiro após a noite segunda, sou o revolto prisioneiro de uma prece que não quis rezar. Diviso a ternura da artéria rompida; rompo também laços de amizade e amor. Amanheci triste como outrora. Papai não quis melhorar. Léguas me deixaram com a culpa de não ter externado a intensidade necessária. Cabeça pra frente e bola pra rede; são dele estes conselhos também.
Lembro de engravatar o radio sintonizando em programas diários e conservadores; as paredes debocham de minha face. Semblantes de concreto e tinta. Zíperes que lacram as páginas de escritos gregos e hebraicos. Sou um pobre poeta a se indignar. Levanto de manha e o flagelo de meu corpo responde com cansaço. Mais um dia. Mais uma luta; não posso me entregar.
…
criado por poetacronista
08:44:33 — Arquivado em: 
