quinta-feira, 9 de abril de 2009
Um passado “passado a limpo”
Avistei o púrpuro suspiro como quem olha a terra parar; divisei um horizonte nu, envolvido pelo único lobo, perante o sol a uivar. As águas do mar bateram em pedras e se fizeram unânimes em fúria e gloria. Desenvolvi meu oitavo sentido para matar-lhe de inveja e preocupação.
Fui o inócuo perdedor do jogo, mas de propósito liquidei faturas de ciúme, e enquanto todos me deixaram aos prantos, mudei costumes, intenções e até a forma de andar. Fiz a barba com foices e martelos, mas deixei o tom escarlate apenas no emblema do passado, ou em grêmios estudantis.
Descortinei revoltas criando métodos para compor odes e ditirambos medievais. Li filósofos e aprendi a cantar em desafino. Não ganhei nada ao ler os incompreendidos, mas escrevi cartas de amor para a grande mulher que aprendi a amar.
Retomei a vida sem os vícios que maltrataram meu corpo, e após a meia noite… Decidi não mais sentir sono. Fui sincero com a rainha e o rei. Fui o filho que todo pai sonhou em ter, mas em desespero senti culpa, por ter conhecido o filho da puta, que mentiu pra mim.
Hoje ressuscitei em data profana, e creio que aquarelas ficaram vermelhas de inveja e com gana… Deste fim tosco, fosco e sem cara de estar feliz.
Um abraço.
criado por poetacronista
10:29:44 — Arquivado em: 
