sexta-feira, 20 de março de 2009
Medos, remorsos, nostalgias e Paulinho da Viola!
Meia noite ainda estava acordado, enrolei-me ao lençol e tive medo - pela primeira vez em minha fase adulta - de virar abóbora sem motivo algum. Às vezes sinto um pouco de falta de proteção. Mamãe já faleceu, e isso faz tempo, e papai está se indo… Cheguei a casa tarde suspirei aliviado, mas senti medo. Talvez a falta de proteção paterna, porque da materna já me acostumei.
Tenho trinta e dois anos, quase trinta e três! Uma idade onde as dúvidas retornam depois de encerradas as primeiras… Pseudo convicções. Idade que a saúde não é mais a mesma, mas também não chega a preocupar. Balzac talvez explique melhor. Uma noite em hospital cansa mais do que uma partida de badminton. Cansa mesmo.
O lençol me protegeu da abóbora de todos os medos de criança - que sem saber por que cargas d água voltei a ter. Órfão. Nunca tive esse medo, mas de repente, como quem não quer nada, senti calafrios, dores de cabeça, náuseas e a vontade de adentrar ao quarto de meus pais e pedir para dormir aos pés da cama. Meio lúdico não? Talvez… Mas hoje, a vida volta ao seu formato original.
Tenho alguns fragmentos de desejos misturados aos sonhos de criança, e sinto por vezes a inveja de quem reúne toda a família aos domingos pra prosear. Hoje levanto a cabeça. Hoje mato no peito e toco pra frente; e parafraseando o mestre Paulinho da Viola, faço como o velho marinheiro, que durante o nevoeiro, leva o barco devagar…
Um abraço.
criado por poetacronista
09:08:12 — Arquivado em: 
