quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Imperdoavel vida urbana
Ah, se o mar fosse descortinado por raios azuis avermelhados, seria eu a poente lágrima por assim dizer; seria o rosto desenhado sem corpo, ou a ínfima miríade do poder. Teria léguas decifradas por registros históricos e as tumbas deste período pré-histórico, soluçariam antes mesmo de vê-la partir.
Se quilômetros fossem metros, trariam beijos com gosto, mas sem sabor; e o ar rarefeito representaria a atmosfera de seu hálito selvagem. Oh, aurora de um crepúsculo estrelar! Oh, setentrional divisor das águas! Sento-me ao leito de meu Nilo particular e remexo o sal das águas como quem percebe um rio de choros sem perdão.
O inverno chegará em breve; talvez seu sorriso seja impiedoso ou triste. Talvez sua boca esteja delineada pela sede ao me ter juntado a ti. O sol desta manhã representa a angústia que tive ao lhe aplaudir. Peguei-a no colo em meu sonho e ali sentamos. Rios e mares chocavam-se enquanto coloríamos a decoração entre beijos fraternais.
Oh, amor deste lado do hemisfério! Oh lenços de papel riscado! Garatujas representam o martírio da abóboda deste peito doentio. A história descreveu defeitos em minha prole. Segui a todos eles inclusive os de papai. Ah, auréola de minha mente! É tu a prova de minha santidade angelical.
Mas não sou anjo; nem pessoa eu sou! Não passo de um poeta louco e apaixonado pela donzela medieval. Não passo de um poeta seresteiro autor de ritos ditirambais! A fome com que meus dedos digitam poemas está registrada até mesmo nos anais de Canaã!
Tumbas e sarcófagos tremem perante estrofes dedicadas e impostas à sua ode! E você… Teima em responder com indiferentes saudações vespertinas e matinais. Respondes como se fosse a própria Beatriz a desprezar Alighieri!
Dormirei junto aos selvagens escorpiões do deserto. Definharei junto às copias do éden em meu viver. E quando pensar em pedir desculpas, estarei formado na faculdade hipnótica de meu destino funeral.
Sou o único mediador deste debate. Sou o único poeta a admitir maldade. Sou o único que reflete no espelho… A ausência de meu próprio perdão.
Um abraço
criado por poetacronista
18:48:48 — Arquivado em: 
