sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Excesso de contingente
O enfoque real da vida humana é ser bem sucedido para ter o que deixar aos herdeiros ou levar junto do caixão bens de conotação material e inócua. Não sei se me encaixo exatamente neste âmbito da vida. Sou criatura - criada e crescida - em cidade suburbana de índices de alta violência.
Lá (onde me criei) precisaríamos de alguns Bat Mastersons ou Cowboys do Asfalto, para por a ordem que prefeitos não conseguem. Talvez a urgência seja pela retrógrada figura de um xerife Texano, ao invés de um burocrata executivo em nossos moldes atuais.
Acordei lembrando fatos que me remeteram (mesmo que em memória) à Alvorada de minha infância. Não sei se a cabeça de uma criança consegue maquiar problemas ou se realmente as coisas pioraram. Durante a semana (conversando com alunos) descobri mudanças radicalmente periclitantes no bairro que cresci.
O problema talvez esteja no fato do bairro também ter crescido. Seres humanos (em fase adulta) perdem o lúdico jeito de viver e ver a vida. Pelo jeito, cidades e bairros também. Saudades…
Saudades de um bairro com não mais do que dez mil habitantes; por que hoje… Seus atuais quarenta mil descolorem meus pensamentos para o sem gosto e cinéreo horizonte a me torturar.
Aqui nesta crônica, jaz um escritor-saudosista-magoado, mas também um poeta revoltado, pelas lembranças de um vilarejo que não existe mais.
Um abraço.
criado por poetacronista
08:25:08 — Arquivado em: 

Comentário por Leila — sábado, 31 de janeiro de 2009 @ 16:34:09
Eu prometo evitar que outras pessoas se amargurem como você. Quem sabe se a gente começar a pintar o asfalto, a colorir o céu com pipas e trocar as buzinas por música?
Ai, a utopia…