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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Conhecida não é amiga.

Hoje pela manha entrei no ônibus e ao me dirigir ao banco percebi que a moça sentada no assento da janela era uma conhecida de longa data. Sabe aquelas pessoas que conhecemos no colégio, mas que nunca chegaram a ser amigas? É o famoso “conhecido” que ninguém cria intimidade, mas que quando passa na rua sabemos de quem se tratar. Enfim, uma situação no mínimo estranha. Eu ali sentado lendo meu livro “a leste do éden” - de John Steinbeck, ( sensacional obra que inspirou o filme  vidas amargas estrelado por James Dean), e ao meu lado aquela moça aparentando uns trinta e poucos anos, ouvindo seu… MP qualquer coisa, ou ipod dos diabos, desculpem, mas não “manjo” destas inovações. Uma situação como disse estranha. Passamos um milhão de vezes um pelo outro. Subíamos a lomba do colégio ao mesmo tempo e a descíamos também. Talvez nunca tenhamos trocado um bom dia. Nem sequer sei o seu nome e talvez não saiba o meu. Mas hoje de manhã quando nos vimos o olhar foi recíproco de: “olha só a pessoa aquela que conheço a mais de 20 anos”. Crescer na periferia tem dessas coisas. Marcamos rostos e decoramos semblantes. Os anos passam. Em meu caso até os cabelos caem, mas inegavelmente nos mantemos os mesmos em âmago e essência, em gesticulações e forma de sentar. Hoje leio romances e ensaios de filosofia, enquanto minha pseudo-conhecida ouve o radinho do futuro! Mas no dia em que um dos dois morrer talvez surja aquele sentimento de… – morreu alguém que eu conhecia. O nome? – Não; não sei nem ao menos quem é. Hoje me senti portador de alguma doença do tipo “síndrome de Crocodilo Dundee”. Alguma doença que me faça sentir que conheço todo mundo que passa pela rua. Mas não é isso. Apenas uma pessoa de olhar humano e conhecido. Apenas uma pessoa sentada no ônibus que talvez nem tenha me reconhecido. Ou talvez o sentimento tenha sido o mesmo. Enfim, me senti estranho no inicio do dia e permaneço estranho agora também.

 

 

Um abraço.

criado por poetacronista    11:53:45 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. Comentário por Rodrigo — terça-feira, 27 de janeiro de 2009 @ 13:26:36

    E então… como isso é corriqueiro… no sábado mesmo fui trocar o óleo do carro no Big, e o funcionário, tenho certeza, era um colega meu de “1º grau” (afinal, no meu tempo era assim que chamava). Olhei, o cara olhou, e ficou aquele clima de “será?”, mas não trocamos palavras sobre isso. trocou o óleo e me fui, mas ficou aquela sensação no ar… fora outros episódios… isso nos faz remeter muitas vezes à tempos remotos, a sensações esquecidas, a velha infância! abraços, velho!!!

  2. Comentário por Manhosa — quarta-feira, 28 de janeiro de 2009 @ 08:57:12

    Saudades meu Cronista do Coração

    Isto também me acontece… risos… mas com o passar dos anos… fiquei com mais coragem e sou direta… pergunto quem é…
    As vezes não é quem eu imaginava… mas… já reencontrei pessoas maravilhosas… antes só eram conhecidas… hoje são amigas queridas…
    Quando se estava no 5º ano primário… a turminha do 2º ano… era criancinha a nossos olhos… diferença de 3 anos… hoje… pareceríamos da mesma idade… ou até… risos…

    TeGostoMuito…

    Bjs.

    OBS: O terra esta difícil até para se deixar um comentário…

  3. Comentário por J.ulliana — sábado, 31 de janeiro de 2009 @ 10:54:36

    Me acontece com frequência. Moro em uma cidade pequena, e esses encontros fazem meio que parte da rotina. Como sou bem jovem e a escola ainda faz parte do meu cotidiano, não me sinto -por falta de palavra melhor - impactada quando me deparo com algum conhecido, mas sempre acontece de sentir o que descrevestes.

    Ótimo texto.

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