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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Excesso de contingente

O enfoque real da vida humana é ser bem sucedido para ter o que deixar aos herdeiros ou levar junto do caixão bens de conotação material e inócua. Não sei se me encaixo exatamente neste âmbito da vida. Sou criatura - criada e crescida - em cidade suburbana de índices de alta violência.

 

Lá (onde me criei) precisaríamos de alguns Bat Mastersons ou Cowboys do Asfalto, para por a ordem que prefeitos não conseguem. Talvez a urgência seja pela retrógrada figura de um xerife Texano, ao invés de um burocrata executivo em nossos moldes atuais.

 

Acordei lembrando fatos que me remeteram (mesmo que em memória) à Alvorada de minha infância. Não sei se a cabeça de uma criança consegue maquiar problemas ou se realmente as coisas pioraram. Durante a semana (conversando com alunos) descobri mudanças radicalmente periclitantes no bairro que cresci.

 

O problema talvez esteja no fato do bairro também ter crescido. Seres humanos (em fase adulta) perdem o lúdico jeito de viver e ver a vida. Pelo jeito, cidades e bairros também. Saudades…

 

Saudades de um bairro com não mais do que dez mil habitantes; por que hoje… Seus atuais quarenta mil descolorem meus pensamentos para o sem gosto e cinéreo horizonte a me torturar.

 

Aqui nesta crônica, jaz um escritor-saudosista-magoado, mas também um poeta revoltado, pelas lembranças de um vilarejo que não existe mais.

 

 

Um abraço.

criado por poetacronista    08:25:08 — Arquivado em: Sem categoria

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Revelação

O papa virou corrupto; miríades de luzes definem estrelas; comendas premiam ovelhas como sendo animais de teor semi-bíblico. Minha vida virou o estereotipo da morte. Soluço pela manhã e a tarde, parando a noite apenas pra dormir. Mas o papa deixou de ser pop, ou talvez, nunca tenha sido. Um Engenheiro Surfista me mentiu?

 

Ouço vozes na sala - acho que são as crianças brincando de incomodar. A chuva desenha pingos na calçada. Uma loira elogia o cabelo de uma morena que retribui a hipocrisia dicotômica com um reles “o seu também está lindo”. Estamos próximos do final do ano, afinal de contas o que são apenas trezentos e poucos dias? O cachorro ladrou porque não sou mais seu conhecido. Faz tempo que não venho por aqui.

 

Papai está doente e velho. O que é pior? Essa coletânea de desconforto é trágica. Vejo uma menina passeando com os pais. Olho atento; não quero que nada ocorra com esse pensamento ou paisagem. A chuva parou, mas desenhou “mosaicos mil” pelas ruas de minha cidade. Triste. Alegre só em seu nome. Cidade triste.

 

Ontem briguei com o motorista e hoje será com o cobrador. Ou deveria escrever trocador? É acho que sim, afinal de contas a rede mundial levará este texto longe o suficiente para que bergamota vire mexerica. O papa não é mais pop. O vaticano roubou bancos pelos quatro cantos. É! Li na obra fantástica de David Yallop. Caiu a casa - diria meu pai. Anti-semitas fizeram horrores! Mas ainda assim temos amigos que vangloriam as administrações de umas ilhas por aí.

 

Sou o inovador dos pensamentos moralistas. Talvez minha forma libertina-conservadora seja até mesmo atacada e taxada de moral! O ano está passando e fico preocupado com a copa que se aproxima no Brasil. 2014. Ano que trará preços altos e custo de vida imensuravelmente caro, mas enquanto isso o presidente fica feliz porque organizaremos a copa com competência. Espero que os tapumes midiáticos tão bem utilizados no Pan não se repitam.

 

Certamente terei que enfrentar algum engraçadinho de última hora corrigindo-me ao dizer: - papa se escreve com letra maiúscula! Responderei: - só não sei por quê! Mas o que dói mesmo é saber que a música era boa; a letra inteligente, mas o papa…

Não é mais pop.

 

 

Um abraço. 

criado por poetacronista    11:49:41 — Arquivado em: Sem categoria

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Conhecida não é amiga.

Hoje pela manha entrei no ônibus e ao me dirigir ao banco percebi que a moça sentada no assento da janela era uma conhecida de longa data. Sabe aquelas pessoas que conhecemos no colégio, mas que nunca chegaram a ser amigas? É o famoso “conhecido” que ninguém cria intimidade, mas que quando passa na rua sabemos de quem se tratar. Enfim, uma situação no mínimo estranha. Eu ali sentado lendo meu livro “a leste do éden” - de John Steinbeck, ( sensacional obra que inspirou o filme  vidas amargas estrelado por James Dean), e ao meu lado aquela moça aparentando uns trinta e poucos anos, ouvindo seu… MP qualquer coisa, ou ipod dos diabos, desculpem, mas não “manjo” destas inovações. Uma situação como disse estranha. Passamos um milhão de vezes um pelo outro. Subíamos a lomba do colégio ao mesmo tempo e a descíamos também. Talvez nunca tenhamos trocado um bom dia. Nem sequer sei o seu nome e talvez não saiba o meu. Mas hoje de manhã quando nos vimos o olhar foi recíproco de: “olha só a pessoa aquela que conheço a mais de 20 anos”. Crescer na periferia tem dessas coisas. Marcamos rostos e decoramos semblantes. Os anos passam. Em meu caso até os cabelos caem, mas inegavelmente nos mantemos os mesmos em âmago e essência, em gesticulações e forma de sentar. Hoje leio romances e ensaios de filosofia, enquanto minha pseudo-conhecida ouve o radinho do futuro! Mas no dia em que um dos dois morrer talvez surja aquele sentimento de… – morreu alguém que eu conhecia. O nome? – Não; não sei nem ao menos quem é. Hoje me senti portador de alguma doença do tipo “síndrome de Crocodilo Dundee”. Alguma doença que me faça sentir que conheço todo mundo que passa pela rua. Mas não é isso. Apenas uma pessoa de olhar humano e conhecido. Apenas uma pessoa sentada no ônibus que talvez nem tenha me reconhecido. Ou talvez o sentimento tenha sido o mesmo. Enfim, me senti estranho no inicio do dia e permaneço estranho agora também.

 

 

Um abraço.

criado por poetacronista    11:53:45 — Arquivado em: Sem categoria

Brincando de professor

Acho curioso deparar-me com uma turma de alunos; alguns temerosos com o que será visto, outros trazendo consigo problemas a serem resolvidos, e muitos na tensão de não saber o próprio destino.

 

Lembro de quando eu era um destes alunos. Sempre atento as possibilidades e temerário a falsos julgamentos. Esta última era a justificativa para buscar o primeiro lugar na fila de classes. Isto, classes. Não era carteira. Chamávamos de classe.

 

Alguns professores eram os preferidos pela simpatia, e os mais profissionais, ou melhor, aqueles que realmente planejavam suas aulas na incumbência de fornecer conteúdo, eram vistos como chatos. Visões. Incorretas, mas sempre as visões de um aluno.

 

Hoje me vejo professor. Não de colégio ou universidade, apenas de cursos de rotina editorial para novos funcionários na editora que trabalho. Algumas situações se parecem, talvez por ali encontrar pessoas que necessitam de conteúdo, mas a grande diferença é a necessidade de aprovação para a garantia ou a simples, mas urgente, manutenção do emprego.

 

Rostos preocupados?

 

Sim, ainda existem.

 

Semblantes curiosos?

 

Às vezes sim. Às vezes não.

 

Mas a maiúscula (e notória) diferença de objetivos, aliada as causas e motivos, para o maior ou menor aprendizado ainda persiste nos problemas, e nas dificuldades trazidas do aconchego do lar. Pessoas. Seres humanos. E eu? O misto. A mescla. A mistura, o real e necessário meio termo entre os professores chatos e os amigos das turmas. Encontrei esse meio termo.

 

Brinco, canto, recito, mas cobro, xingo e motivo. Não tenho formação de magistério, mas acho que deveria ter. Seria muito tarde?

 

Eu, convictamente, acho que não.

 

Um abraço.

criado por poetacronista    07:23:57 — Arquivado em: Sem categoria

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Sem destinatário

A vida abriu a porta, pena era a dos fundos! Chutei balde com e pedras e tijolos; e o cachorro maltratado pelos donos, insiste em não me deixar dormir. O oposto do sentido era o fraco comprimido; furei sapato, fui atropelado pelo gato, e depois de ter dormido constrangido… Um garoto traído quer pétalas para cheirar!

 

Ouço vozes que vêm do além, mas é além dos ventos e das chuvas! Além das caras e garatujas! talvez volte um dia a lhe esperar. Escrevi bilhetes no elevador; juntei poesias em arpoador; deixei versos em banheiros… Decorando a estação do trem. Nunca pensei que pudesse chorar ou ter isqueiros que demoram a acabar; e nunca disse nunca… Porque sabia que iria conhecer o verdadeiro amor.

 

Sou o decepcionado decepcionante; a faísca de um livro a lembrar Dante, o leitor de um pocket-livro-bem pequeno, mas nunca admitirás o teu amor. Amo a paisagem de seu rosto; a seqüela que o álcool acusa pouco a pouco; e mesmo morando em cidades e abrigos, um dia volto a cavalgar no matagal.

 

O roxo ficou vermelho, o branco alvo em destempero, e se o ouro não amarela mais… O preto representa a vergonha multicor! Sua maquiagem de aquarela perde o tom; desbota o chão e o pensamento, mas filósofos e escritores juntam tudo para adorar. Hoje termino o escrito em regurgito; tomem banho de lago e mar! Tomo porre de coisa alguma e convido: Venham para o canto descansar!

 

O ator interpreta o holocausto enquanto  o garoto aprende o sobressalto. Elejo textos em folhetins, viro homem publico! Sou o ministro de um ministério a se criar. O morro foi promovido a montanha; o barco de iate a navio de uma campanha, e meu pai diz que não é ofensa… Dizer que mamãe é que me pariu!

 

O orvalho ganha nome de sereno; o cheiro do perfume está pequeno, mas o sol que mudou para o vermelho… Combina com os olhos do cantor! Meu cântico virou trilha de cinema; meu texto o louvor de uma ferida bem pequena, e quando cansaram desta vida…

 

Latrocínio verbal virou poema.

 

Abraço

criado por poetacronista    17:53:30 — Arquivado em: Sem categoria

Sem volta

Foi em anos perdidos que conheci a poesia

Era um transeunte sem saber o que queria

Morro por saudades de tempos ensolarados

Lembro do cheiro, sabor, choro desalmado.

 

Tempos de crise ungem mentes em amor

Pouca estrada deixou a graça pela dor

Foi crueldade insólita, não posso esconder

Anos perdidos… Dores remotas pra entender.

 

Nada mais cruel que gaveta guardando corpo

Levantando a cabeça precisando aceitar

Então nasceu um poeta fabricante de figuras

Sinto saudade, mas não há como voltar.

 

Um poeta choroso, um cronista revoltado!

Escritos para um povo, detalhes de meu agrado

Tempos que foram, mas cicatrizes permanecem

Hoje a amargura, explica o olhar acostumado.

 

 

 

criado por poetacronista    08:36:22 — Arquivado em: Sem categoria

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Testemunhas

Avistam corpos jogados ao mar

Não denunciam nem são coniventes

Reles inocentes não sabem falar.

 

Comem na volta o que serve

Enojam-se de tudo que os fere

Fuga da culpa em nado atroz.

 

São mudos por idioma real

Não entendem pedras e pesos

O embrulho não é o de natal.

 

Cumplicidade mais que ocular

Lamentam fogem e choram

Todos são peixes vivendo a sós.

criado por poetacronista    11:51:10 — Arquivado em: Sem categoria

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Joãozinho “mente fértil”

A cara de lucidez era inédita. Chovia lá fora enquanto sentimentos misturavam-se a orvalhos e garoas. O cão nervoso; uma anciã percorrendo o solo umedecido pelo barro e folhas caídas desviavam seu olhar para o farol. Parei o carro. Uma pá retirada detrás da arvore cavava uma cova. Um corpo jogado. A anciã volta para a cabana enquanto fico a espreita observando.

 

Filmes de terror haviam me mostrado cenas semelhantes. Mas aquela era inédita. Um coelho recebendo o cortejo fúnebre de um ser humano a ponto de levar uma velha e judiada senhora através da chuva para enterrá-lo. Eu estava com cara de paisagem! Chorei sem saber por onde. O radio começava a tocar Chico Buarque. Gênio! Mestre! O maior dos maiores! Desliguei o radio para diminuir a concupiscência lagrimal.

 

Cheguei em casa atordoado pelo peito desprotegido. Uma senhora adocicou meus princípios mostrando todo o amor por um animal. E se fosse a  única companhia daquela pobre anciã? Devia ir até sua casa prestar ajuda?  Ou ficar torcendo que tudo se resolvesse? Voltei pra casa pensando na cova, na pá, e nas folhas sob o solo. Amanha será outro dia. Talvez devesse mudar a radio. Ouvir Caetano ou Toquinho. Ouvir algo mais alegre  que Chico. Ou simplesmente devesse dormir.

 

Na noite posterior àquela decidi retornar ao local do enterro. Minhas mãos suavam frio sem saber por que de tanto valor a um simples enterro de animal. Estacionei o carro iluminando a cova pelos raios de meu farol. A luz não estava clara como deveria. O farol estava sujo devido a noite imunda e pelas folhas velhas e úmidas grudadas a ele. Desci correndo. Ajoelhei-me e comecei a cavar com mãos e unhas.

 

Minha pressa levantava a terrível – mesmo que minúscula – hipótese de não ter sido um coelho. E se fosse uma pessoa? Meu deus! E se fosse um drible em minha percepção? E se a anciã tivesse me enganado com o coelho? Dentro deste terror continuei cavando em meio a folhas. Cães começaram a ladrar e corriam para minha direção! Voltei para o carro e trêmulo pus-me a chorar de forma copiosa. Tristeza. Muita tristeza invadiu meu peito. Acelerei em direção a minha casa. Dormi de imediato; sem banho, e sem trocar roupas também.

 

Um dia que amanhecia daquela forma prometia churrasco na atmosfera! Sempre gostei do cheiro de assado espraiando-se pela comunidade. Domingo de sol com crianças brincando e adultos preparando o ritual. Mulheres fazem o arroz e as saladas, algumas gostam de feijão, outras nem tanto. Homens no preparo do fogo e dos aperitivos enquanto elas fazem o chimarrão. Este sempre foi o modelo dos domingos; exceto pela noite de sexta-feira.

 

Aquele enterro continuava escrevendo parágrafos de horror em minha memória. Sentei no sofá cruzei as pernas e tentei ler trechos de Quintana. Saí para caminhar. Encontrei amigos fazendo churrasco. Fui convidado, oba! Após o almoço voltaria a pensar. Ganhei tempo entre amigos. José, Paulo e Toninho.

 

Éramos quatro jovens tentando a diversão ininterrupta. Contar ou não contar? Era a nova martelada em minha cabeça. Poderiam reagir com preocupação, mas também poderiam rir de minha imaginação estúpida. É! Estúpida mesmo, afinal de contas não passa de uma senhora tendo compaixão e amor por um animal (agora morto) de sua estima. 

Não poderia ela só atira-lo no mato?

 

Passei o resto do churrasco arranjando formas de contar, mas não contei. Não pude. Ou melhor, não consegui. O churrasco terminou quase a noitinha. Tinha que retornar. Optei pelo bosque - não que estivesse com vontade de passar novamente no local do enterro -, não era isso. Mas o caminho pelo bosque fora o preferido desde a infância!

 

Um regador! A velha retornou ao bosque e agora carregava um utensílio de molhar plantas! Será louca? Poderia ela estar fora de suas faculdades mentais? Acho que sim porque agora… Está querendo regar um cadáver de coelho! Voltei para o carro e fiquei na espreita. Apenas observando. Observando os movimentos da velha anciã.

 

O outro dia amanheceu com a cara mais de segunda-feira que uma segunda-feira pode imaginar. Fui correndo ao bosque e decidido! Hoje vou questionar aquela senhora. Vou sim. Mas como? Como poderia questionar algo que nem certeza tinha? Ela apareceu. Minhas pernas tremiam e sucumbiam aos criteriosos soluços de curiosidade. Mantinha desde a infância estes infames soluços em meio a crises de saber o que estava por ocorrer.

 

Veio a noite e com ela a caminhada da anciã junto de seu regador. – ela está regando o cadáver de um coelho!

 

– Oh, minha senhora! Isso está errado! Ela ouviu. Ouviu e veio em minha direção.

 

- O que houve agora garoto? Posso lhe ajudar?

 

- Eu? Tudo bem que a senhora é bem mais velha, mas daí a me chamar de menino…

 

- senhora? Eu? Sou homem! Me chamo Odacir! E você não deve ter mais de onze, talvez doze anos.

 

- Doze anos?!?!? Eu?!?!? Sou um adulto minha senhora! Ali está meu carro!

 

- Senhor! Sou homem e além do mais, eu sou o seu… E pare com as paranóias! Que carro? Estou vendo apenas uma bicicleta encostada na arvore que rego todas as noites em meu pátio!

 

– Aham! Agora peguei a senhora. Porque não admite que enlouqueceu a ponto de regar o cadáver de um coelho!

 

- Coelho? Eu plantei uma amoreira junto a essa arvore para terminar a experiência  que fiz com cruza de raízes. E sabe mais? Volte pra casa ou chamarei seus pais Joãozinho!

 

Corei meu rosto e vi que não adiantava mais mesmo; outra vez desmascarado sem piedade. Precisava usar disfarces mais convincentes.

 

João voltou para casa e encontrou sentado junto a mesa de centro seus pais e seu IRADO avô.

 

- Joãozinho mente fértil! Está proibido de ler contos policiais!

 

- mas pai…

 

- não tem “mas pai”, eles não são para sua idade!

 

Após o pedido de desculpas seguido de um “não vou fazer mais”, João  voltou para o quarto onde deitou e dormiu.

 

 

 

Um abraço

criado por poetacronista    12:57:55 — Arquivado em: Sem categoria

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Aniversário

Hoje completo um ano sem tabaco. Não me refiro ao personagem carismático de Osmar Prado na saudosa, porém distante, novela Roda de Fogo (1986). Falo do tabagismo mesmo. O dia 16 de janeiro de 2008 está definitivamente gravado em minha memória.

 

Impossível esquecer; aproximadamente trinta e cinco graus e eu deixando de lado aquele vício que por uma década perturbou bolso e pulmões (não necessariamente nesta ordem). Sinto-me mais “inteiro” e mais “sociável”, a cada instante que não preciso procurar áreas restritas para os “excluídos” fumantes de nossa sociedade.

 

Não serei hipócrita, fumar é prazeroso! Mas trata-se de um  prazer prejudicial e mentiroso. Um prazer sem razão de existir e extremamente discutível. Hoje tenho a convicção que trocaria a condição de ex-fumante apenas pela de nunca ter fumado.

 

Os mais neuróticos falam que a minha pele melhorou e que a voz está mais limpa, mas não sigo tão distante; apenas defino a atual conjuntura como a de alguém (eu) que não precisa mais se condicionar aos apelos e ordens de um reles pedaço de papel contendo substancias tóxicas prejudiciais.

 

Hoje não ia escrever, mas esta data não pode passar em branco; não para mim.

  

Um abraço.

 

criado por poetacronista    10:57:40 — Arquivado em: Sem categoria

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Fragmentos de um romance que abandonei

 

(…)Nunca pensou que fosse importante; roupas esfarrapadas circundavam debaixo de seus braços frases de Dante. Em prosa! Estava lendo a divina comédia de forma herege! Jamais perdoariam seu ímpeto de poetar se vissem aquele exemplar de Dante escrito de forma pobre.

 

(…)Locomotivas moviam-se em meio a parques e campos. Pássaros cantavam ao cair da noite, mas a vontade de caminhar persistia mesmo com a demora de seu coletivo; mesmo diante de amoreiras prontas para o abate; mesmo sentindo-se na companhia única de deus. O alvoroço começara cedo, logo após o desjejum a base de desaconselhados biscoitos de manteiga com refrigerante. O cão ladrou as seis em ponto. Seu cão fazia as vezes de galo.

 

(…)Ergueu-se e foi ao objetivo. Sempre munido de livros; sempre tentando concluir outro inferno no contexto.

Sempre em busca do final.

 

 

Um abraço.

criado por poetacronista    13:19:24 — Arquivado em: Sem categoria
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