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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Emissário do fim

 

Levanto de tumbas com almas penadas
Convoco todos a seguirem a mesma estrada
Recito versos sangrentos e maléficos
Não vejo nexo, não sinto pena de ninguém.

Corro pelos becos germinando medo em platéias
Grito aos sete ventos o motivo de ser assim!
Mas redescubro em terremotos o choro da menina
Movediços soluços formam hiatos de vossa fé!

Desenho garatujas rabiscando escritos
Sentem medo da chuva e do fogo prometido
Fogem de meus ditirambos proibidos
Mas nunca conseguirão esquecer de mim.

criado por poetacronista    08:48:39 — Arquivado em: Sem categoria

Diário de um poeta insone

 

Fiquei triste ontem à noite; chuva caindo com calor escaldante e eu ali deitado no quarto sozinho sem ter o que fazer. As paródias deixaram de ser paródias. A vida mudou os sentidos e avistei dois pernilongos aprumados sobre a porta do quarto.

Noite quente. Aqueles infames (como diria minha avó) apenas aguardavam pelo meu sono para executarem a sinfonia chata de seus zumbidos. Seguia triste olhando para os dois - que acredito que não olhavam para mim.

Será que mosquitos olham para suas vítimas? Não sei não… Sou daqueles que não se importa com as picadas dos pernilongos, o difícil de aceitar é o zumbido! Este sim incomoda. No final das contas a noite Foi tranqüila. Não ouvi a sinfônica presença e também não detectei marcas sob a pele pela manha.

Talvez estivessem apenas descansando sobre a porta. Talvez sejam até amigos, ou estejam apenas de passagem. Hoje vou prevenir! Repelentes para mosquitos e talvez algum remédio para acelerar o sono.

A noite deve ser de temperatura mais amena e talvez até chova novamente. Quando acordo pela noite, procuro o rosto e encontro barbas escondendo os primeiros “pés de galinha”. Deixei de ser um garoto.

Estou feliz com a maturidade, e “meio triste” pelos quilos a mais. Nestes darei um jeito, podem ter certeza, mas as rugas e a barba… são tão insolúveis quanto a presença dos pernilongos de verão.

Um abraço.

criado por poetacronista    08:21:57 — Arquivado em: Sem categoria

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Interatividade Intrínseca

 

Como poeta, sucumbo com platéia austera; devolvo em gritos os olhos malditos de desvãos dos confins. Oh, mártires da cruzada medieval! Vosso Deus se tornou dragão; vosso Deus matou o imortal!

Volto para o palco e lembro-me do último cidadão da fila penúltima do teatro.
“Olhos atentos esperam pelo erro, talvez saiba ele que estou no improviso de meu próprio texto, mas suores escorrem e me denuncio enfim”.

Casa cheia por platéia louca, então viajo pelas arestas de meu texto. Cavalo branco de pétalas rosa; cheiros de estábulo - poemas de gaivotas! Tudo em última estrofe; tudo quase acabando, mas falta muito para o fim.

Platéias me enchem de esperança, mas quase sempre rejuvenescem a matança de um genocídio ou latrocínio verbal. Todos assolados levantam já descalços e sobem junto ao palco.

Meu Deus! Será hecatômbico este meu fim!

Aplausos. Milhares deles. Choro. Agradei quando pensei que não poderia mais. Acordei do sonho ou será tudo real? Todos me ovacionaram. Estou intactamente feliz; sou o último triste a ficar alegre; sou a pedra que serviu na sopa como tempero; sou A BROA QUE ALIMENTOU LANCELOT!

Sou o único poeta a montar no cavalo chamado soberba e cair nos braços de um povo austero, mas reconhecedor de meus versos tupiniquins.

Um abraço.

criado por poetacronista    17:18:53 — Arquivado em: Sem categoria

Fidalguia de espírito

 

Todos aplaudem a tristeza da rima pobre
Mas esquecem que a fidalguia é nobre
Por fazer versos… Sem saber rimar.

Vejo o sol poeta escrever em raios
A chuva atleta confundir orvalhos
Vejo tantos montes, não sei mais definir.

Hoje a noite tornou-se a bela
Minha condessa dança feita gazela
Mas não há espaço pra dançar assim.

Devolvo então o ritmo pra pobreza!
Acordo de meu sonho, inútil realeza
É muito triste, mas não temos outro fim.

criado por poetacronista    16:31:31 — Arquivado em: Sem categoria

A melhor do Mundo

 

Mais uma vez baixo a guarda perante a valorosa torcida do Grêmio; mais uma vez as provas de amor no estádio da azenha encantaram os olhos deste amante inveterado do esporte bretão.

 

O certame teve caneco entregue em São Paulo, mas o “exército espartano do sul” teve em sua torcida uma prova de amor inconteste e singular.

 

Cresci ouvindo de parentes que o torcedor gremista era impaciente e protagonista de intensas batalhas contra seus atletas, mas salvaguardando alguns fatos, precisamos admitir que a torcida do Grêmio tem dado exemplo para todas as torcidas deste Brasil.

 

Lembro da década de noventa quando o Corinthians Paulista venceu a Copa do Brasil dentro do Olímpico; ali a “renovada” torcida tricolor cantou o hino após a derrota incentivando os desconhecidos comandados de Scolari para a histórica conquista da America no mesmo ano.

 

Uma torcida que incentiva na derrota, com amor e orgulho, é mais que torcida; é a real manifestação de amor por um clube. Fiquei emocionado, mas contive a emoção pela racionalidade que me imponho nestas horas.

 

O São Paulo mereceu o título por ter recuperado pontos e por não ter perdido no segundo turno, exceto para o grêmio. Não irei entrar no mérito da troca de arbitragem; tivemos erros, mas eles ocorreram em todos os jogos inclusive no do Grêmio ontem em Porto Alegre.

 

Faltou um detalhe ao tricolor. Faltaram-lhe duas vitórias em partidas cruciais: Figueirense e Goiás, ambas no Olímpico. Faltaram alguns momentos de maior lucidez e talvez calma. Mas torcida não faltou! Aliás, torcida, creio que não faltará jamais. Parabéns torcida tricolor.

 

Hoje à noite elegerão os melhores do ano, mas para que se fizesse justiça deveríamos ter prêmio para a torcida do Grêmio, incontestavelmente a melhor do país - quiçá do planeta! Mas como tudo no Brasil é centralizado… A homenagem Será para a torcida do Corinthians.

 

Faço deste espaço uma forma viável de justiça; parabéns torcedor gremista! Você foi brilhante; esteve sempre junto ao seu time fazendo jus as palavras de Lupicínio.

Um abraço.

criado por poetacronista    07:33:44 — Arquivado em: Sem categoria

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Chega!

 

Olá doutor e agora o que vai ser?
Mais uma década de horrores
Ou quem sabe desamores
Seu doutor vai receber?

E agora minha moça?
O atrás não é mais da moita
É do político desonesto
Nesta fronte de manifesto
Sei que um dia eu vou ser rei!

E agora gurizão, quanta euforia!
Pela praia vento norte é maresia
Ceva no copo prova quem diria
Que gente grande tu já vai ser.

Enquanto o povo aprende,
a nadar pra não morrer…
A gente doa o que não tem,
nem mesmo pra”nóis” comer!

Então chega de zueira e trago
Chega de alterar a historia
Oh, porta dos fundos vou embora!
Quero paraíso de verdade pra viver.

Fui.

Um abraço

criado por poetacronista    09:53:42 — Arquivado em: Sem categoria

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Com sono e cansado.

 

Sabem aqueles dias em que acordamos esperando a hora de voltar pra cama? Pois é, estou assim, mas não devido à noite de sono encurtada pela final da copa sul-americana. Não. Decididamente não. Acontece que sou daqueles que não descarta o acompanhamento de finais do esporte bretão, mas agora… Fazer festa regada a bebidas e tudo mais debaixo da janela do quarto dos outros… Isso não se faz não. Talvez venha a ser taxado de hipócrita por ter feito muita festa e bebido muito em minha vida, mas não bebo - a mais de ano - e respeito o sono que muitos não sabem o que é.

O jogo acabou por volta de uma hora da manha - devido a trinta minutos de prorrogação - e como se não bastasse a tardia partida, a festa foi em caráter de êxtase total! Carros de som até as três e meia da manhã parados próximo a residências enalteciam a conquista com a execução ininterrupta de hinos e marchas do internacional.

Lamentável, no mínimo, lamentável.

De manha acordei e carimbei meu desjejum com o mau atendimento de costume em um café qualquer (nenhum atende corretamente, portanto não citarei nomes, é irrelevante) e iniciei o trabalho assim. Deste jeito. Esperando a hora de tornar a dormir.

Quanto ao mau atendimento? Não concordam? Vocês é que não percebem! Já estão acostumados! Limão e gelo… Vêm ou só limão, ou só gelo, ou nenhum dos dois! Café com adoçante vem com açúcar, e o meu que é amargo vem com leite! Isso é corriqueiro e revoltosamente constante.

O povo faz festa em horários indecorosos; os bares servem tudo errado (experimentem pedir chesse salada sem ervilha pra ver se não virá com ovo!); homem que não gosta de "fruta" é veado! E o mensalão segue solto… Enquanto o governo pede doações porque “faltam-lhe recursos” para arrumar o estado irmão.

A vida está de cabeça para baixo. E eu taxado de velho enquanto pessoas de meu convívio querem que suas faltas sejam abonadas no serviço, afinal de contas, seu time foi campeão!

Triste época, muito triste viver assim.

Um abraço.

criado por poetacronista    12:58:20 — Arquivado em: Sem categoria

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Uma carta a quem não merece nem um bilhete

 

Sr fulano,

É claro que a vida é mais bela quando o sol se põe e demonstra a mais boreal das auroras. É claro que a vida é mais singela na vista embriagada da ponta da mesa de um bar. É claro que a vida se torna amena quando o inconsciente recebe doses alternadas de adrenalina transgênica! E é claro, Sr fulano, que a vida é mais bela quando insistimos em vê-la assim.

É evidente, meu amigo, que o caráter vem junto no pacote, quando se compra a oportunidade de viver. E é obvio Sr fulano, que algumas pessoas como você optam por não o receber. É claro, meu amigo, que as mensagens subliminares fazem jus a sua estupidez, e é cada vez mais obvio seu MERDA, que amigos valem muito menos que sinceridade, refrigeradores e futilidades; menos ainda que bebidas cigarros e coisas afins.

Muito obrigado, seu inútil, por tirar poetas de seu estado natural; por provares que não vale nem mesmo um reles extrato de sua conta com o diabo, na hora que fores o encontrar. Muito obrigado Sr fulano, mas hoje o texto é pra lhe mostrar o quanto agrides a inocência de quem sabe poetar… Quando mostras seu outro lado de impostor.

Sinta-se lisonjeado pelo ínfimo lisonjeio e pela doutrina de um escritor em devaneio, que hoje chora não de emoção, mas sim de ódio pela sua falta de moral. Talvez se morreres Sr fulano, eu possa decorar sua lapide com poesia, ou endereçá-lo para o inferno!

 

Talvez esse seja seu habitat natural.

Um abraço.

criado por poetacronista    15:44:04 — Arquivado em: Sem categoria

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

37 não é febre!

 

A humanidade está pronta para transvalorar os valores; as saias curtas deixaram de serem perguntas de resposta bifurcada. Danças e músicas estão voltando aos primórdios do acasalamento indígena; tudo dentro dos limites intransponíveis e indesejados da falta de moral e bons costumes.

Eu já sei o que acham e também concordo com a definição: sou ortodoxo, ultrapassado, quadrado e careta! Será mesmo? Meu filho tem oito anos e está difícil criar uma criança com tudo o que se tem noticia na televisão! Internet então, nem se fala.

Quando dos meus oito anos a família olhava atenta, e de forma unida, as novelas dos três horários! As famílias não olham mais, ao menos não com a tenacidade de outrora. As novelas estão impróprias para várias idades e em se tratando de princípios básicos, impróprias até para os adultos.

Não posso aceitar as condições de direitos iguais como endosso para o que temos assistido. E as roupas das meninas que de forma insistente são travestidas de rainhas do funk? Sei que já bati nesta tecla na última crônica, mas estou triste, preocupado, revoltado e a ponto de “chutar o balde”!

Letras de música que dizem coisas do tipo “goza onde quiser” ou ainda “desce até o fim oh safada” representam os hits da boca da garotada! E eu que sou quadrado? Ah, existe também outra utilização para o termo quadrado, mas neste caso não é impróprio não, apenas dotado de uma pobreza musical condizente com a atual situação de nosso povo.

O ser humano a cada dia torna-se mais fútil e vulgar, e como se isso não fosse o suficiente adorna as prateleiras de lojas de departamentos com fotos de mulheres seminuas ofertando lingerie de forma pornográfica.

Sabem o que mais me revolta?

Programas de televisão lucrando com suas “sub-celebridades da feira livre” enquanto jornalistas graduados e competentes abrem bancas de revistas nos centros de nossas metrópoles. Nada contra vendedores de revistas, mas um dia desses passou por mim no shopping uma, digamos, “fruta turbinada” dizendo para a amiga que estava com trinta e sete de febre! É… Salvaguardando os direitos do menino prodígio parafraseá-lo-ei:

- Santa ignorância Batman.

 

Um abraço.

criado por poetacronista    15:26:41 — Arquivado em: Sem categoria
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