segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
É estranha a barba que restou no rosto; pele descamada acusando o verão como mal feitor. É estranho sentir na saliva gosto de lágrima e na altura de um sol que já se pôs ir ao fundo do poço apenas para buscar água (não sou mais seu inquilino).
Pássaros cantam em minha janela sempre que acordo tarde demais, e cães ladram. O inverno deixou seqüelas na árvore queimada de meu pátio. Meu filho está maior e minha pequena garotinha também está. O mercador passa à porta e como de costume vende de tudo! Panelas, jogos americanos, talheres, tapetes e redes de dormir.
Estamos no litoral à espera de um “pé d’água” - que se tivermos sorte - creio que não virá. Minha barba está maior que ontem, puro azar! O aparelho é novo e não trará dificuldades, talvez deva cortar grama para passar o tempo ou então passear com as crianças; regar flores e ouvir uma velha anciã me dizer olá!
Vida pacata onde a cizânia ancorou pelas chicanes da capital. Carros por aqui também buzinam, mas a intensidade é menor, e a oscilação fica por conta da previsão do tempo.
Não é crônica que agora escrevo. Não é poema também. Talvez a página de um diário descortinada pela falta de sigilo. Talvez venha outro capítulo fora do contexto, ou então, encerre por aqui.
Um abraço.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Se entre barcos fugi das cinzas
Foi em mares que aprendi a andar
Firmando apelos gritei cantigas
Nas ondas que ventam temporais.
Pobre sombra no mar sem vez!
Plebe baleia - morrerás sem cor!
Triste o rico a naufragar vinténs!
Peixes mortos lhe tiraram amor!
Busquei o barco plantando âncoras!
Monte pico de um coração qualquer
Reciclo dores brotando em ânforas
Convoco presidentes se assim houver.
Civilizações matei em véspera!
Oblíquas estradas com gentios ou freis!
Andei na corrente marítima austera
Sou o maior fidalgo de seus reis.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Queria ser um indigente poliglota!
Falar Grego, Aramaico, Hebraico e Latim!
Falar tudo que não querem ouvir!
Mais um a escrever epístolas
Dormir sobre minhas encíclicas
Ser o papa de natureza descomunal!
Queria pouco; realmente pouco;
Queria apenas o lugar mais alto
Dentre os derrotados o último posto
Nada contemporâneo ou usual.
Queria ser criticado por ser estúpido!
Estupidez que tange não ser inútil
Não gostar de frutas podres na TV.
…
Um poliglota mesmo assim.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Queria poder comprar muitos livros
Ou quem sabe, ser igualzinho a você
Serpentear por paraísos indignos
Ser um doutor cursando PhD!
Queria poder reescrever a história
Sendo mais convincente que foste agora
Traduzir cinco mandamentos…
Sem o tormento de chegar aos dez!
Separar o joio do arroz ungido!
Admitir prazeres sem ser tolhido
Receber aplausos por este beijo…
E beijos pelos meus escritos.
Talvez seja o sonhador do século novo!
O super herói sem poderes, e afoito;
O escritor de um idioma simples
Mas tradutor do seu desejo de amar.

Escrevo como quem respira para não morrer; escrevo como vestir roupas para definir novos idiomas e talvez para ser eu; tu; ou mudar para você. Escrevo por necessidade obrigatória e não consigo sequer dormir sem que no sonho sente em cadeiras e comece a rabiscar.
Doença? Não, talvez incontinência ou outro termo qualquer. Sou o poeta que prefere ser escritor. Sou atleta das letras e das linhas e me fantasio de amante com um sentimento idem ao amor.
Sou nas horas vagas o apaixonado com vergonha de admitir que mudei, e porque não, o ideal de homem, de ser humano e de compositor de cânticos também.
A vida me deu outra lição, mas sigo tranqüilo enquanto o grande quadro branco me disponibilizar o apagador. Monto em eqüinos e espraio campos fora em busca do saber.
Escritos gregos e hebraicos continuam me dizendo que são antigos, mas começo a pender para o lado… O lado que busca neles talvez o mais relevante dos significados.
Talvez me torne mais humano enfim.
Um abraço.
Imaginem a praça de alimentação de um shopping repleta de semblantes enfarruscados ou chorosos. Conseguiram imaginar? Imaginem um estádio de futebol cheio de mau humor, ou ainda crianças em sua maioria emburradas em bancos de praças e parques. Conseguiram? Difícil eu sei, mas às vezes passamos os olhos despercebidos em situações rotineiras.
Em locais públicos, onde a visualização dos problemas é notória e externada de forma pública, percebemos que o humor integra a consciência humana de forma voluntária ou não, mas sempre com presença marcante e obrigatória. Somos alegres em grande parte de nossa vida. E até mesmo em países de condição social “permanentemente periclitante” somos capazes de encontrar sorrisos.
O humor e a felicidade compõem nossos dias sem que eles nos dêem reais motivos para sermos felizes e contentes. Fico observando os atendentes de lanchonetes e fast foods, onde é sabido que a remuneração é baixa e o horário de trabalho arduamente tortuoso. O curioso está na alegria estampada nestas pessoas que passam no mínimo doze horas sem sentar e ainda alcançam períodos de brincadeiras e piadas entre si.
O Ser humano, guardado as devidas exceções, consegue rir até mesmo em velórios e enterros, e talvez esteja nestas situações inusitadas a explicação para que consigamos viver em um mundo de reais e pujantes injustiças.
Não pretendo reclamar disso não, calma, é apenas a constatação de que nos contentamos com pouco - e mesmo que contentamento não seja a palavra certa - há sempre um motivo para sorrir em meio a mares de dificuldades e opressões.
Comecei meu dia sorrindo com a alegria de todos os meus semelhantes, e após ver um deficiente físico brincando com o motorista de um ônibus, creio que continuarei a sorrir assim.
Um abraço.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Fragmentar déspotas em terreno público; comunicar aos atletas que o impedimento foi absurdo; regozijar a tarefa árdua, morrer no incenso enjoativo da balada, ser eu mesmo de corpo, alma e traje social.
Aterrar o rego da montanha; montar montaria sem ser redundante; Terminar o bordel com tijolos de papel; Reescrever a história esquecendo profecias gregas, ser o maior entre os molestadores de bromélias; comer arroz com sabor de pêssego enquanto planto rosas que germinam flor de lótus.
Morrer todos os dias apenas para saborear a ressurreição proibida, ser o adúltero de meus princípios sem trair o livro da estante. Desejar os conhecimentos de Espinoza sem ler livro algum, e torcer, torcer intensamente pelo mesmo time que todos a minha volta, mesmo que para isso deixem de ser rivais no fim.
Comer tomates sem precisar lavá-los; escrever poemas que todos entendam; ser chamado de belo mesmo que seja beleza intrínseca; sorrir para a mais longínqua estrela e ganhar abraços e elogios pelo texto mais pobre que já fiz
Um abraço.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Querendo repentes buscando amar
Levantes em névoas choros de um mar
Correndo em busca sempre de ti;
Sorrindo o cheiro juro que eu vi.
A nua e perfeita meus sonhos são teus
Descrita princesa beldade do amor
Morrendo de inveja querendo ser deus
Desejo somente teu corpo e calor.
A guerra e a paz perderam a vez
Somos os primeiros a amar por prazer
Teu cheiro em meu jeito mistura real
Vivendo passado lembrança vital.
Agora eu nunca persigo o que eu dei
A brisa que sopra ventos citei…
Tua voz macia e serena é normal
Teu corpo indecente andar sensual.
Não foi minha vida, mas lembro de ti
Nunca me esqueço do canto e do tom
Cavacos pandeiros querem tamborim
Foi noite foi festa… Assim foi carnaval.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
peço perdão aos amigos leitores, mas problemas técnicos com o blog estão deixando a mostra apenas posts antigos. conto com a compreensão de todos. desde já agradeço,
Um abraço