domingo, 31 de agosto de 2008

O amor pra mim tornou-se impuro;
Triste e convicto por tristezas… Alegrei-me;
Acordo ouvindo rádio… Penumbras e névoas;
Escuto alguém recitar Quintana! Um louco, só pode.
Coloco sandálias e parto para o primeiro passo:
Higiene bucal; banho; barba…
Recito poemas próprios, defronte espelhos.
Concluo o ensaio feito o próprio Shaeskespeare!
Espreguiço-me e vou para a mesa do café
Bolachas e pães; refrigerantes - que não deveriam estar ali,
Ao menos não nesta hora, e sonetos matinais
Tudo combinando com os cantos do passarinhar de meu telhado
Junto da empolgação de mais um dia de férias,
Esqueço, mas o exame exigia doze horas de jejum.
Fica pra amanha.
Um abraço.
sábado, 30 de agosto de 2008

Alguns dias iniciam interessantes, outros nem tanto, mas é a pureza duvidosa que inspira em mim mais um dia; sol amarelado, céu espelhado e alguns medrosos teimam em dizer que está frio. Pássaros saíram das tocas e por si só demonstram que estão mais alegres. Tento raciocinar e “administrar” alguns pedidos; pediram que falasse de futebol, perdão não “vai rolar”; outros pediram “poemas por encomenda” para projetos musicais, estes eu atenderei, mas em outro momento, é muita responsabilidade para ser feito no repente. Hoje irei fantasiar-me de poeta apenas para mandar o epíteto para a estratosfera e optar por “dar uma volta”. Farei crônicas e talvez textos; farei o que todos criticam… criticarei sem argumento! sem propriedade, e talvez, sem fundamento algum. O dia segue belo e o shopping está cheio! É a dicotômica sociedade humana aproveitando bons dias de sol para “cortinarem” praças de alimentação sob a forma de abrigo. O bicho homem costuma buscar satisfação nas mais infundadas situações. Se o time venceu a partida, a conta por pagar será preocupação a partir de amanha; se venceu o clássico a precocupação retornará apenas em alguns dias, agora, se o time do coração tiver vencido o campeonato… deixa-se de pagar a conta e o dinheiro vai todo “investido” na comemoração! É assim nosso país e talvez nosso planeta! Mas eu esqueço a inconformidade e sigo admirando o dia e suas paisagens. O shopping está mais do que lotado, justifica-se, afinal é hora do almoço. Os parques tambem estão cheios não posso ser desonesto mas a planicie de minha memória teima em predicar textos sujeitos a análises morfo sintáticas da vida quase humana de meu subúrbio, meio vago isso não? Tentarei melhorar… a raiz da árvore literária escondeu-se em um caderno de matemática! Com tantas possibilidades exatas, não posso escrever, ao menos não poemas e coisas afins. Matematica é exata e chata, e é exatamente isso que não busco em meus textos. Hoje não estou a fim de assuntos filosóficos; preciso definir meus primeiros dias de férias como férias de assuntos mais relevantes também. Estou lendo “Aurora” de Friedrich Wilhelm Nietszche, obra de mil oitocentos e oitenta e poucos… bom livro, até o momento pra mim é o melhor dele. Havia gostado de zaratustra embora esse “gostado” tenha sido um pouco influenciado por tudo que haviam dito sobre o livro, mas Aurora é fantastico! Debochado, cético, malévolo e inteligente. Querem mais? Eu não.
Um abraço.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A autobiografia está intrínseca em minha vida, e como não podia ser diferente, em minha crônica, em meus textos, em minhas prosas e em minhas poesias. Sou o cronista sob o “epíteto charmoso e galhardo” de poeta! Um precursor de alguma coisa que talvez tenha sido realmente o primeiro. Um admirador nato do futebol - que odeia ser rotulado de gremista ou colorado - por ser realmente um apaixonado pelo esporte. Sou daqueles que busca inspiração sem acreditar necessariamente que ela exista; sou, enfim um poeta por acaso; um pretenso romancista que não leva os projetos adiante, e um contista que se autoconsidera “dos bons”; Esse sou eu “um em um milhão” de pseudo-escritores que ostentam a vontade de obter reconhecimento. A substantivação do epíteto surge ao ser reconhecido nas ruas: - olá poeta, como vais? É a realização, que embora não seja o objetivo – o melhor seria o reconhecimento de escritor e não poeta – fica melhor assim. Seria rude, e até seco por demais, ser parado nas esquinas desta forma: - olá escritor, como vai indo? Não; realmente não combina. A vida segue com “ensaios de ensaios” e poemas utópicos quando não autobiográficos; procuro reler velhos livros que hoje adquirem outro significado e juro de pés juntos que nunca irei jurar por coisa alguma. Meus primeiros escritos foram descartados por mim mesmo. Eram ruins? Não sei… Faltava coragem para defronte o espelho dizer: sou um escritor! Hoje até já admito; da mesma forma com que admito ódio, horror e escárnio. Amadureci até atingir o auge da maturidade; amadureci até passar a incomodar os outros pela excessiva maturidade e seriedade que carrego em alguns assuntos. Os amigos reclamam apenas da formalidade e meu filho, que possui apenas oito anos, fica atento ao telefone tentando descobrir que hora serei direto para dizer-lhe sim ou não em seus pedidos. For ma li da de! É essa a palavra chave para quem confunde a linguagem falada com a escrita e sofre com este mal. Procuro manter meus ídolos, e arquivá-los por ordem alfabética dentro dos estilos. Trabalho em uma editora de guias telefônicos, já faz tempo, então aprendi bem esse negocio de ordem e arquivo. São tantos ídolos que às vezes preciso relembrar. Para a música hoje são poucos e esquecidos, mas na literatura são muitos, e embora prefira os filósofos, mantenho cronistas no hall dos intelectuais inatingíveis também. O epíteto de poeta às vezes machuca, mas por vezes abre portas de fraternidades e confrarias e confunde as platéias que teimam em pedir um poema imortal! Não. Respondo assim mesmo: - não. Não declamo poemas imortais. Não recito poemas dos outros. Recito os meus que embora não sejam de escola lusitana são até bem bons. Esse é outro ponto de minhas prosas autobiográficas: - gosto de vangloriar meus escritos como sendo os melhores que já vi. Soberba? Talvez, mas prefiro dizer que alguém precisa comprar o que escrevi.
um abraço

A real motivação de um “emaranhado de atividades esportivas” está em massagear o orgulho de ser brasileiro, de ser gaucho e de ser alguém. Torcemos pela nação que representa no quadro de medalhas o que realmente é. Muita luta e muita dedicação, mas pouco incentivo e pouca competitividade também. No futebol feminino – o masculino é melhor não comentar – tivemos o maior exemplo de dedicação e honra a pátria. Foi a prata digna de ouro e as meninas chorando sangue nos mais de cento e vinte minutos de demonstração de amor. Fiquei comovido pela entrega; fiquei comovido pela tristeza e preciso obrigatoriamente dizer parabéns. Vocês foram demais! vocês foram muito bem.
Só pra constar:
Cavalo dopado só pode ser com a gente mesmo, mas depois que os americanos derrubaram o bastão e os chineses maquiaram a festa de abertura com plagio vocal começo a pensar que nem só de Brasil vivem as trapalhadas.
Desfecho cultural:
O dia promete ser magnânimo em sua conclusão! hoje tem “encontros com o professor” e o Ruy irá entrevistar ninguém menos que Humberto Gessinger. Posso não ficar eufórico?
Noite alegre:
O inter venceu de goleada e só falta o grêmio vencer no maraca, pra tudo encaminhar-se para um ótimo final de semana.
Até mais:
Por hoje é só; falta tempo e alegria; o jogo das “gurias” magoou. Perdi o encanto pelas olimpíadas que reúnem diversos esportes, mas o que gostamos mesmo é de futebol.
Um abraço.
terça-feira, 19 de agosto de 2008

Tive na família a referencia errada, portanto ineficaz, de como não se deve proceder em assuntos religiosos. A conduta espiritual não mandava preencher espaços com plantas místicas - e menos ainda com copos de água atrás de portas; minhas concepções religiosas, que hoje deixaram de existir, sempre se abaloaram perante as discrepâncias religiosas de minha mãe. Arruda na porta; copo com água atrás da mesma; respeito com encruzilhadas; receio de derramar sal; medo de redemoinhos mínimos; crenças em santos (ao ouvir trovões e relâmpagos) e leituras diárias de evangelhos que não condizem com entradas em igrejas para benzer-se com água benta! Miscelâneas à parte, não posso ser recriminado (ao ter perdido a fé), por pessoas que se dizem Kardecistas, mas seguem todas as diretrizes religiosas como quem coloca missas, cultos e sessões, em um liquidificador para tranqüilizarem âmagos e sentirem-se menos covardes. Perdão meus irmãos (e meus parentes), mas às vezes preciso esquecer que certas palavras machucam, pois do contrario deixaria de ser eu mesmo. A caricatura de quem precisa crer em algo é derrubada pela falta de coerência. A mais ou menos duzentos anos os cemitérios eram mantidos debaixo das igrejas (da mesma forma que até os dias atuais a basílica de São Pedro mantém os corpos da inquisição em seus porões), é obvio que debaixo da igreja ninguém ousaria em mexer; então se matava e ali mesmo eram enterrados; acontece que com isso criou-se a “mania” de, em respeito aos mortos, e suas sepulturas, fazer o sinal da cruz ao passar por qualquer igreja. Agora, estamos no século vinte e um, e até mesmo os não católicos insistem em fazer o tal gesto defronte um templo que cultua os atos corruptos de pessoas como Marcinkus e sua trupe, e abona fatos como o de dez mil crianças alemãs serem molestadas sexualmente por “pedófilos de batina”. O sinal da cruz é por esse motivo? O que é melhor, chamar parentes e amigos de hipócritas ou de desavisados?
Outra coisa que não entendo:
Moro na America do Sul e estão tentando me provar que, em jogos olímpicos, preciso de forma obrigatória torcer pela Nigéria em detrimento da vizinha Argentina! Qual o motivo para tanto ódio? Realmente não sei.
Um abraço.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Sou daqueles poucos declarados que comparam o xadrez ao futebol. Os dois esportes utilizam concepções táticas e estudos de adversários. Os dois requerem aperfeiçoamento e infindáveis momentos de dedicação. Não estou falando dos “jogadores de bola”, não desperdiçaria tempo com eles, mas falo dos intelectuais deste que é sem dúvida o maior esporte coletivo do planeta. Como disse a Martha Medeiros, cada um faz do seu blog o que quiser, portanto em tempos olímpicos dedicarei o espaço, se possível na integra, aos esportes. O porquê do futebol? Serei simplista: sou brasileiro! Este é o país do futebol; que é oito vezes campeão mundial de vôlei e recordista de medalhas em judô e iatismo, mas definitivamente é o país do futebol. Perdoem-me os enxadristas de plantão: acho o futebol mais complexo e de mais difícil execução do que o esporte do tabuleiro! Não estou hoje “chegando de mansinho” a este espaço para falar mal do xadrez; não é isso. Gosto de jogar, embora não seja um exímio enxadrista, e por tal fato tenho desempenhos semelhantes e até medíocres nos dois esportes. A dificuldade maior em se planejar o futebol, para mim, está em um rápido e honesto comparativo. Vamos lá? Quem seria o “enxadrista no futebol”? Duvido, ou melhor, Du-vi-do, que qualquer pessoa que entenda 1% do esporte bretão discorde que seria o técnico o responsável pela execução da estratégia e dos esquemas táticos. Ou será que estou tão fora da realidade? Creio que não. Pois bem, em se tratando do técnico ser o enxadrista, torna-se notória “a maior dificuldade” tendo em vista o livre arbítrio das “peças” no campo de futebol. No xadrez o enxadrista pensa e executa, já no futebol o “enxadrista” pensa e manda executar! Agora, se a “peça” irá ou não cumprir a ordem, é outra questão. Poderíamos também comparar peças com posições. Ganha-se xadrez eliminando o rei. Ganha-se o jogo fazendo gols! Então seria o “gol” o “rei” no futebol? Ou quem sabe seria o goleiro o herdeiro do epíteto? Bastaria aprimorar o comparativo, levando em consideração que o gol é a derrota do goleiro após o embate com o atacante. Comparação surreal, mas efetiva, concreta e lógica talvez. Não podemos trilhar esse caminho, pois seria injusto com amantes desse ou do outro esporte, mas uma situação me obrigo a comparar. Como amante do futebol - de-tes-to retranca! Não suporto o futebol oriundo de minha descendência (italiana) que se resume na simplória arte de destruir. Portanto em prol do “ofensivismo” deveriam proibir as famosas e intransponíveis “duas linhas de quatro”. E no xadrez, seriam elas, o “roque do rei”?
Um abraço.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Darei uma pausa nas crônicas costumeiras e falarei de um assunto que urge, portanto manifesta relevância: futebol! Tenho me mantido na defensiva com “consistência e ocupação de espaços”. Todos me perguntam diariamente, talvez porque procuro manter-me em processo de isenção, a respeito do campeonato brasileiro e de seus “pseudo-almejantes” a condição de campeão. Não há como negar a condição de favorito por parte de nosso representante (do bairro azenha) aqui de Porto Alegre. Inegavelmente trata-se da melhor campanha, com números impressionantes e de consistência impar! Melhor ataque e melhor defesa resultando em um saldo próximo do fantástico e do inexplicável: 23! Tirem a passionalidade de seus peitos e inflem a isenção, mesmo que impossível, para definirem o Grêmio como (mesmo 19 rodadas antes do fim) o virtual campeão de 2008. Outro fato que me constrange, e irrita, é a repetitiva má vontade por parte de todos a respeito de Celso Juarez Roth, e também dos oportunistas, que não gostam, mas agora começam a exercitar seus primeiros aplausos para o “manager” em questão. Pra mim, trata-se de um técnico inteligente, honesto, trabalhador e profundo (eu disse pro-fun-do) conhecedor do futebol e de suas verticalidades (essa palavra roubei do professor Ostermann, peço perdão). Recordo-me 1997; o primeiro grande time de Celso Roth no Internacional; montado naquela época – e naquela época justificavam-se as desconfianças - sobre forte resistência da crônica e dos torcedores em geral. Um técnico competente e acima de tudo leitor de jogos e concepções táticas. A resistência que existe sempre existirá, mas não concordo e me manterei sempre desta forma, apoiando técnicos competentes e capazes, mesmo que amigos, colegas e familiares teimem em não concordar. Apoio Adenor Leonardo Bacchi, apoio Celso Juarez Roth, apoio Mano Menezes e todos os demais “trabalhadores da bola” mesmo que para isso tenha que externar total resguardo e resistência aos Pseudo-intelectuais do futebol. Todo o torcedor entende de futebol e temos 180 milhões de técnicos no Brasil. Mentira! Esta é a pior mentira de todas as descritas, ditas e reditas. Não vou me prolongar, até porque falar de futebol, pra mim, ao menos nesse espaço, é como o titulo desta crônica diz: Parênteses! Em 2006 pude perceber no título da Libertadores da América por parte do Internacional o que é a chamada “sorte de campeão”! E aviso aos navegantes: não estou falando da “pejorativa”, e sim da sorte que acompanha os bons! Tenho em relação ao time do Grêmio a resistência que já tinha com o inter de 2006, mas quando no jogo de Assunção a bola bateu no poste (e depois de bater nas costas do goleiro Clemer) dirigiu-se caprichosamente para fora, suspirei e pensei comigo – seremos campeões! Neste final de semana a situação foi a mesma; a janela de agosto me dando a impressão de que o Grêmio atingiria seus limites e passaria a sofrer pujantes dificuldades com adversários reforçados e imponentes. O que ocorreu? A bola “cruzada” de Willian Magrão desviou no zagueiro e “acabou” com o ímpeto mineiro decretando o inicio de uma enxurrada tricolor! Abri, falei de futebol, falei de Celso Roth, Falei do Grêmio, e agora o defino como indiscutível por tratar-se do melhor time; do mais coeso e do mais equilibrado; da melhor campanha dentro e fora de casa; do melhor ataque e da melhor defesa; da melhor atitude e da melhor postura. Perco a resistência, e as dúvidas, e afirmo o Grêmio como o candidato potencial ao titulo; parabenizo a direção gremista por manter o técnico, em detrimento da opinião da torcida, e dos cronistas do ramo. E para terminar… Fecho, mas de forma consistente, fecho meus parênteses.
Um abraço.

Algumas situações são reveladoras. Algumas nem tanto, mas a revelação faz parte do ser humano e ostenta clareza e persuasão. Sou daqueles que lê tudo o que há para ser lido, mas acredito em pouco mais da metade do que já li. Creio no amor e na existência de românticos apaixonados. Creio na maiúscula evolução dos seres, mas desconfio que nunca fui um símio. Acredito nas evidencias que a historia deixou, mas não mostrou onde, e tenho certeza (ah se tenho) que outros planetas abrigam outras civilizações. Sou o estranho no ninho, mas prefiro ser chamado de intruso. Gosto de seriados fictícios que alegram e revelam capacidade de invenção, mas é evidente que os casos verídicos me agradam muito mais. Sou daqueles que ostenta o amor por uma linda mulher com a cara de quem diz ao mundo: não é para quem quer! Ontem o dia passou rápido demais e a noite fez jus com curta duração. Creio que a vida passará mais rápida que minha visão, portanto leio para manter olhos abertos no futuro e perceber antes que seja tarde que meu filho está pesado demais. Gordo? Não, apenas não posso mais carregá-lo como gostaria. Era pra ser crônica, peço desculpas. Virou missiva; virou confidência; virou um diário. A tarde promete sol e pouco calor; o dia promete encerrar com historias para serem contadas junto à mesa de um reles bar. O inverno está castigando os seres que precisam do frio. Ele não veio. Ele se esqueceu de nós. Qual será o motivo? Isso eu creio… Que não temos explicação. Minha vida é explicada pela falta de fé e resignação, mas justifica-se, e explica-se, pela determinação que coloco e direciono aos meus textos. Sou o crente que não crê no improvável e revelo desejos e vontades a ponto de ser chamado de “cara de pau”. Não tenho medo da lembrança do passado, mas prefiro planejar o futuro como forma de dar mais consistência ao presente. Hipocrisia? Não. Sei que às vezes fico remoendo, um pouco além da conta, as magoas que já se apagaram, mas não me considero assim não. Sustentar objeções com retórica agradável e impositiva lembra-me discursos persuasivos e discrepantes. Lembram-me Odorico Paraguaçu; lembram-me outros tantos que melhor não comentar. Acredito no que mesmo? Na força do país do futebol! Força do que? Ou melhor, pra que mesmo? Eu creio em tudo que se prova, se toca se consome, e se têm. Lembro de tudo que há de melhor no mundo. Lembro do planeta mais redondo e menos chato, lembro que meu texto perdeu o foco, mas creio em tudo. Inclusive que posso consertá-lo… Até nisso, eu creio também.
Um abraço
sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Subia escada enquanto o mundo
em minha volta desmoronava.
Soluções e choros periclitantes;
desejos e anseios como nunca tive antes.
Você subia a escada…
e era véspera de um final de semana
com talvez, filmes de horror.
Lembro dos postes da infância
não são mais os mesmos
tinham lâmpadas amarelas.
Lembro da rua escura
nas férias de inverno na casa de vovó!
Lembro da inocência que sentava
junto à mim na calçada;
meninas e meninos todos juntos
na escura rua de perdição.
Recordo de árvores
mais verdes que as de hoje;
lombas de areia;
primeira bicicleta “domada”;
e a ânsia de ter perdido a partida
de bolita com a gurizada!
Férias de inverno
estendidas por feriados
e desejadas por todos
os outros meses de verão.
Tudo em meio a subida de escada…
mais estonteante que conheci!
Um de meus ídolos definiu Como:
“verticalidades que a vida nos impõe”
Concordo com meus ídolos
(não poderia ser diferente),
mas simplifico esquecendo a infância
e decidindo por encomendar um elevador.

Pediu refri no copo, pois preferia beber em vidro; recebeu na lata que veio aberta para seu profundo descontentamento. Acordou trinta e quatro anos depois! Em uma cama; em um casebre; em um lugar qualquer. Como se sente alguém que dormiu mais de três décadas? Como estavam suas costas? E seu semblante envelhecido perante o espelho trincado, lhe dava choque debaixo de uma arvore (colhendo frutos) e ouvindo os gritos do malfeitor. Estava noite quando se lembrou de como vira o mundo passar em letargia profunda e em sonhos múltiplos; suas tendências suicidas desmascararam as utópicas sensações enquanto dormia. Cerveja teria sido melhor! Certamente não teria vindo em lata aberta, e talvez com um pouco de sorte evitasse seu profundo revés ao beber o refrigerante batizado. Seu filho cresceu, mas não pode acompanhá-lo para ver Shrek 15 ou 16… Seria a atração na tela quente; que nome que durou! Ouviu quando um copo quebrou, mas não era de cristal, era vidro; sofreu um pouco mais por lembrar-se do vidro e então entrou no lotação vermelho que se parecia com a de seu ante-sono, apesar de voar como aviões. Morreu seguro à bíblia sem ter podido terminar a leitura. Tinha programado acabar aos quarenta, mas quando completou esta idade estava no meio; bem no meio de seu sono temporão. Então foi que acordou - de um sono onde sonhava estar tendo pesadelo – e teve como recompensa não o atraso de trinta e poucos anos, mas o significativo, e definitivamente relevante, atraso em seu primeiro dia de serviço.
Um abraço.