quarta-feira, 16 de julho de 2008
Uma carta a um pássaro amigo meu.
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Decole meu pássaro, arvores estão a florescer; milhares de peixes mergulharam; riscos em cadernos eu já fiz, e o sol e a lua, insistentemente enamoram como se fossem adolescentes rebeldes a se esconder. Voe meu pássaro só falta você! O planeta está mais quente agora, terras racharam pela seca incipiente, animais migraram para o norte e não mais para o sul; ventos chegaram ao centro do mapa, e litorais defenestraram a maior das baleias infiéis. Voe meu pássaro, pois paisagens foram garatujadas por poetas; voe e decole logo, sinta-se como Fernão capelo! Seja gaivota e seja borboleta, ou até libélula ou outro inseto qualquer; mas seja ave e voe como uma nave, todos querem ver você! Decole meu pássaro, com asas de penas e ossos; decole para paraísos distantes, mas que sejam bem maiores que o nosso; vá ao imenso arco-íris que guarda segredos sobre ti; drible o inferno desastroso e horrendo, enquanto rios correm mesmo que tremendo, pro sossego da floresta-mãe. Seja raso, ou alto, seja intenso ou nem tanto assim, voe perante as estrelas, demonstre seu jeito e seus teoremas, recite textos bem alto enfim. Seja o mais raro e mais ousado de todos os outros pássaros; drible e mascare a realidade; junte destroços e mova remorsos, mas voe como pássaro que realmente és! Deixe ensinamentos por ordem de seus pais, motive os alunos; os pequenos ou os médios tanto faz, mas voe logo e encante a todos que conseguirem lhe enxergar. Vá ao intenso nascer das ondas marítimas e fisgue peixes como se fosse gaivota ou pelicano; sinta a diferença de aviões e aeroplanos, mas voe o quanto puder, pois “como puder” não importará. Atinja seu objetivo, sem ter recebido algum; mostre a face para outros, diga ser o mesmo que eles todos, mas no fundo saiba por que lhe respeitarão. Sinta calor e cansaço, mas não deixe de voar; plaine em queda livre, conseguirá se recuperar, mas quando estiver realmente cansado, quando realmente pensar em parar… Lembre que todos nós humanos lamentamos e invejamos o fato de não podermos voar! Voe meu amigo! E rasgue os céus com seus cantos, faça poesias com bater de asas; transforme em soneto as tenras e belas águas destes rios a lhe espelhar! Sufoque a beleza de um pavão silencioso; voe meu amigo… Vá para próximo… Vá para bem próximo… Do seu e do nosso… Astro chamado… Rei.
Um abraço.
criado por poetacronista
16:32:21 — Arquivado em: 

Comentário por Marcos Botelho — quinta-feira, 17 de julho de 2008 @ 16:56:25
Olá Adriano!
Genial o texto.
Belo mesmo.
Parabéns!
Abraço