segunda-feira, 14 de julho de 2008
Ossos do ofício
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Foi estruturado como convite desalmado, e na penumbra londrina de Londres e não do Paraná avistou o peito desnudo da bela jovem balzaquiana. Olhos negros e entre abertos anunciavam seu sono quase decretado. Pernas tão entre abertas como os olhos, mas com um pouco menos de sono. Joelhos sem cicatriz demonstravam que não caíra na infância. Desconfiança; como pode alguém não “tirar o tampo do joelho” ao menos uma vez? Olhos que corriam de cima abaixo não davam bola para os joelhos curiosos e seguia a observar a dama desnuda e pronta para o prazer doentio. Pés de perfeição única, porém inócua; braços fortes e bem desenhados; boca com lábios forçadamente delineados e tudo a menos de metro e meio de distancia. Futebol na televisão do fundo da peça e radio ligado em noticiário. Boca trêmula, lábios mordiscados e tudo que aparenta ser quente e fogoso combinavam com seu estado de êxtase e excitação. Era o primeiro ator da peça teatral; era o aluno preferido da escola que havia concluído há quase duas décadas. Remorsos, saudades e lembranças, vinham e iam, defronte a bela mulher a se despir. Lentamente tirou a alça da blusa descobrindo o outro seio. Ele ali tenso tentando separar profissão de tesão; amor de tentação, tentando desenhar linhas sóbrias ao invés de sombrias; tentando ser um artista; um ser frio e sem sentimentos. Tentou e conseguiu; conseguiu não ser ele mesmo; conseguiu ser a moldura da arte; o desenho da morte e o autor do crime… Ou simplesmente o pintor.
Um abraço
criado por poetacronista
11:51:20 — Arquivado em: 

Comentário por Manhosa — segunda-feira, 14 de julho de 2008 @ 21:15:41
AAUuuuuuuu… a Loba uiva…
Superaste a todas… a tudo…
Me transportei… arrepiei… vi… senti…
Subiste ao pódio… risos… medalha de ouro…
Parabéns é muito pouco…
Bjs.