quarta-feira, 23 de julho de 2008
Trabalhando o insano pensamento
![]()
Muitas pessoas e muitos seres; idiomas dialetos e dizeres; recados, missivas, pássaros em telhados, objetos do pecado, simulados por bobinas de fax! Talvez seja meio grosseiro, mas ela estando de joelhos não admite meus sonhos ou anseios; ao menos usa cinta liga (mesmo que por debaixo do uniforme), melhor que seja assim. No escritório muito trabalho; em meio a tudo segue a desforra e a orgia, segue a folia de um corpo esbelto jovem, longilíneo e esquio. É bela como Cleópatra e seu perfil! Eu e você brincando de… Quem diria! Mas meus desejos não estão em seu ordenado “ou seguem desordenados” pela falta da visão. Inconsistido; magoado procurando abrigo, mato a fome com sanduíche quando seu soluço faz repique, para que eu possa morrer sempre na umidade de um orvalho. Acordo suado; sonhava e já esperava (que fosse apenas sonho) morrer de inveja e de desejo, tendo em meus braços os seus beijos de sabor bom-bom! E pensar que fosse possível descobrir os sentimentos vivendo… Somente com você! Prefiro viver intensamente a obediência ao meu “eu” e a você também. Relâmpagos cortam o céu dividindo-o em nuvens sulistas e “nortistas”; nuvens a oeste e a leste de um céu qualquer. Quero seu perfume intocável; o perfume que me faz louco; faz pouco, mas faz feliz. Um dia desses o trabalho irá folgar. Um dia desses o trabalho poderá deixar de atormentar. Neste dia os impulsos libidinosos se farão presentes e mostrarão a todos os seus dentes, mas também mostrarão que existe prazer em viver (mesmo que para isso tenha que renunciar o sermão dominical). Que sacrifício hein? Voltemos ao tempo antigo onde cavernas serviam de abrigo e donzelas eram feitas para amar. Voltemos à idade média; conheceremos a presente libélula sozinha em meio a flores, que suaves me fazem… mais que chorar. Voltarei com força aos eventos da humanidade; serei piloto se você for aeromoça! Serei comandante (mesmo querendo ser mandado), serei o primeiro desenfreado a declarar-lhe imenso amor! Mas de forma descontrolada e externada para o publico… Serei o terneiro com maior vontade de mamar. Pisco os olhos e percebo o expediente em seu percurso. Volto aos relatórios, volto a temas difamatórios, volto enfim a trabalhar. E meu trabalho segue em rotinas e balancetes; segue no balanço de seu corpo e no desembaraçar de seus cabelos, e claro, como não poderia faltar, no impávido gênero singular de ser mulher. Canetas acabando – acho que ando escrevendo demais – lápis desapontado pela falta de ponta e pela ausência de uso também. Borrachas não uso mais; também pudera, não tenho o porquê de corrigir o que escrevo. Chegada a hora do almoço lembro que trocaria qualquer manjar de padaria, ou ainda o melhor almoço de restaurante por uma conversa aconchegante, em camas redondas e tudo mais. Passou-se mais de uma década e tudo segue do mesmo jeito. Papéis e objetos seguem a rotina de um quintal de terceira idade! Ventos bons trazem o balanço das folhas e nada mais. Sigo sendo cético até na forma de lhe amar. Pedem-me que lhe faça elogios por poemas e desafios literários. Prefiro lhe beijar defronte ao publico que não espera. Seria mais “lisonjeante” e maior homenagem também. Pedem-me então relatórios que irão custar algumas horas de meu trabalho. Sinto a angústia de ter que interromper meu raciocínio. Perderei o mais precioso bem que possuo; perderei o enredo e seu desenvolvimento; perderei o intruso texto em meu pensamento; perderei a concentração naquilo que escrevo, mas não perderei jamais… Nunca perderei… O intenso “calor” que sinto por ti.
Um abraço.
criado por poetacronista
17:21:48 — Arquivado em: 

