quarta-feira, 11 de junho de 2008

Acho curioso deparar-me com uma turma de alunos; alguns temerosos com o que será visto, outros trazendo consigo problemas a serem resolvidos, e muitos na tensão de não saber o próprio destino. Lembro de quando eu era um destes alunos. Sempre atento as possibilidades e temerário a falsos julgamentos. Esta última era a justificativa para buscar o primeiro lugar na fila de classes. Isto, classes. Não era carteira. Chamávamos de classe. Alguns professores eram os preferidos pela simpatia, e os mais profissionais, ou melhor, aqueles que realmente planejavam suas aulas na incumbência de fornecer conteúdo, eram vistos como chatos. Visões; incorretas, mas sempre as visões de um aluno. Hoje me vejo professor. Não de colégio ou universidade, apenas de cursos de rotina editorial para novos funcionários na editora que trabalho. Algumas situações se parecem, talvez por ali estarem pessoas que necessitam de conteúdo, mas a grande diferença é a necessidade de aprovação para a garantia ou a simples, mas urgente, manutenção do emprego. Rostos preocupados? Sim, ainda existem. Semblantes curiosos? Às vezes sim. Às vezes não. Mas a maiúscula (e notória) diferença de objetivos, aliada as causas e motivos, para o maior ou menor aprendizado ainda persistem nos problemas, e nas dificuldades trazidas do aconchego do lar. Pessoas. Seres humanos. E eu? O misto. A mescla. A mistura, o real e necessário meio termo entre os professores chatos e os amigos das turmas. Encontrei esse meio termo. Brinco, canto, recito, mas cobro, xingo e motivo. Não tenho formação de magistério, mas acho que deveria ter. Seria muito tarde? Eu, convictamente, acho que não.
Um abraço.
terça-feira, 10 de junho de 2008

Os “pseudo-torcedores” possuem a triste mania, e até a convicção (o que é pior), de se considerarem técnicos de futebol. É aquela velha máxima que todo brasileiro entende do assunto. Mentira. Ao menos é esta minha convicção. Todos iludidos na paixão pela bola, mas isso é fato conhecido, e até aceitável como parte integrante do brilho e do romantismo de nosso esporte preferido. Agora, tudo tem limite! Os metidos a intelectuais gostam de definir pré-requisitos para se poder trabalhar no futebol. Um deles é o nome para boleiro! Jogador (segundo os intelectuais) tem que ter nome de jogador – coisas do tipo Edmilson, Jonilson, Aldrovani e por aí vai! Nomes simples como João, Henrique ou coisa e tal, precisariam necessariamente de apelidos para vingar no esporte bretão. Depois do nome tem o problema da aparência. Jogador tem que ser feio se quiser ser craque! Dentuço, narigudo, testudo, enfim dotado de toda e qualquer imperfeição, que mesmo depois de firmarem contratos milionários, manterão em prol de exigências das multinacionais que explorarão seus “requisitos” estéticos, ou melhor, direitos de feiúra, ops, imagem. E para terminar, além de feios e dotados de nomes estapafúrdios, precisam obrigatoriamente ser burros! Não podem adquirir conhecimento algum, além é obvio, do já conhecido preparo físico e tático. Ah, e por falar em tática, os técnicos de futebol precisam saber falar a linguagem desses atletas, pra não dizer das antas. Os pseudo-intelectuais da bola reclamam dos seres tidos como “faladores”. Dizem que a retórica é a arte de embromar, e desta forma apenas passar por intelectual quando a verdade é exatamente o inverso! Sabe o que acho disso tudo? Inveja. Pura e simples. Quem não possui vocabulário ou retórica (como queiram) morre de inveja de quem tem, e sai aos sete ventos falando bobagens como as aqui relatadas. Eu gosto dos “faladores”! E até tento copiá-los. Gosto dos Paulo Autuoris da vida. Gosto dos Parreiras e dos Ostermanns! e até dos mestres da oratória que infelizmente se escondem atrás de siglas partidárias. Gosto de ouvi-los gosto de decifrá-los, e porque não, almejar a mesma habilidade na arte de convencer pela destreza de saber falar. Hoje ouvi de um amigo que o Tite (Adenor Leonardo Bacchi) é muito “falador” para assumir o Internacional, e que técnico tem que saber falar a língua dos atletas. Invejoso ele, não?
Um abraço.

Linda a esperança que sucumbe na trança da pequena loirinha a me esperar. Era sonho ou apenas a andança de quem via naquela criança a nova vontade de ser pai. Cabelos dourados que me remetem ao passado ou a um olhar de soslaio fingindo desagrado, mas pela destreza desta criança ali jaz uma vencedora; a maior e mais esperta muito grande para a manjedoura que prepararam para lhe esperar; outrora risos pujantes e cantarolantes, hoje não mais como foram antes, mas ainda refletem meu bem dizer. Ah, deixem de maresia! Sufoquem a onda que já trazia… O vento norte de meu prazer! Cabelos louros novamente ofuscaram o sol mais que contente, e agora sou eu quem vai dizer: Direi que o olhar ficou marcado; O abraço me deixou emocionado, e a todos motivou. Sabem-se lá quem nos amou ou se não amaram pior ainda! De resto a menininha das entrelinhas já é mais que uma mulher! O astro rei é amarelo e em sua homenagem a lua brilha para lhe copiar. E a todos em sua volta resta a península de reentrâncias tortas fingindo sempre que querem ser! Ando meio afoito e complicado; não sei se mantenho o norte ou se parto pra outro lado, tudo por causa do passado que me ensinou a colorir… Mesmo tendo ensinado em tom errado. Não… Não tinham esse direito! Fiquei mais que enciumado e agora não reconheço seu semblante; quero o planeta coeso como fora antes de todo esboço de nosso bem querer. Digo ao mundo que a estatua é da liberdade, mas não existe liberdade neste mundo que nos remete aos limites e fronteiras de uma atmosfera pra lá de glacial! E agora meu compadre? Sobrou pra ti e pra comadre me explicarem o que vai ser! Será a revolução de uma vida, ou quem sabe a morte da mais querida vontade de se viver? Tudo por causa da pequena demonstração de maestria, da pequena ilusão de galhardia que um dia um de nós insistiu que iria ter. Lembrei que acabei de ler um livro que falava em cativar; agora estou com outro que me ensina a viver. Não são de auto-ajuda não preciso deles não, consigo apoio em parábolas e entrelinhas e confesso a todos meus leitores que é justamente isso que gostaria: que todos conseguissem decifrar o segredo deste texto que acabei de escrever.
Um abraço.
segunda-feira, 9 de junho de 2008

Depois perguntam por que perdi meu coloradismo!
É muito simples ora! Cansei de uma vida regrada a futebol. Se for sair para um passeio antes precisamos verificar a agenda futebolística; é capaz de termos um jogo importantíssimo, que se não nos impedir de sair, ao certo irá impedir nossas companhias. Afinal de contas, no Brasil, tudo é menos importante que a partida de nosso time. Isto posto… Fica definido que domingo e quarta são dias de futebol (sou do tempo que eram os dias do namoro). Agora vamos falar do humor dos torcedores (que caracterizam aproximadamente 85% da população) que altera de acordo com o resultado do jogo de seu time, e como se não bastasse, também são influenciados diretamente pelos jogos do rival. RI VA LI DA DE, não é uma palavra meio forte? Não? Eu acho que sim. Vamos adiante. Não adianta… Antigamente eu via a maior graça em “tocar flauta” nos colegas após a derrota do time deles. Hoje não. Embora a maioria ainda tenha esse costume, eu perdi completamente. Por quê? Simples: se perdem, ficam magoados, chateados e até bravos! Mas é apenas por algumas horas, que para os mais “doentes” chega ao extremo de 72! Depois tudo em ordem e prontos para a próxima rodada. Então, “tocar flauta” é perda de tempo! Definitivamente não me permito perder tempo não. Depois vem a extrema vergonha de um rebaixamento para a segunda divisão! Nossa! Perdão, nesse caso é NOSSA!!!! com tudo em maiúsculo! E ai? Caem para a segunda divisão para descobrirmos que o fanatismo aumenta mais ainda, e que não é tão vergonhoso assim… Se nas derrotas a frustração dura até 72 horas (casos extremos de perda de decisão) nos rebaixamentos estendem-se até a primeira rodada da vexatória segundona, quando os estádios lotam na demonstração máxima de amor! E o titulo da serie “b”? Indubitavelmente passa a ser o objetivo! Pode? É pode sim! Então… Rebaixamento… Não é motivo para deboche. Depois temos que agüentar os chatos dizendo que possuem um título que outros não têm. Estão percebendo? Não posso manter meu coloradismo, nem meu fanatismo que definitivamente não existem mais. Hoje pela manhã ao tomar café vi um paulista fechando o jornal que enfatizava a brilhante campanha do Corinthians na serie “b” dizendo – como é bom ser corintiano! Perguntei montado em minha irritação: - bom por quê?!?!?! Paguei a conta e fui embora.
Um abraço.
sexta-feira, 6 de junho de 2008

Não me sinto maduro como o pêssego que enfeita árvores e perfuma atmosferas. Sinto-me maduro como o figo caído descansando na sombra de sua figueira-mãe. Sinto vontades de crianças nas impossibilidades de ser adulto, e sinto ânsias e angústias ao encontrar-me em meu próprio eu. Sinto vergonha de ser eu mesmo quando pensei que havia me tornado superior; e refresco memórias e posturas na simples forma de sentir dor. Olho para crianças e percebo o quanto é belo ser infantil; percebo as serpentes engolindo elefantes de um jeito que só Exupéry nos definiu; sinto saudade de meu filho mesmo sabendo que amanha o encontrarei. Procuro encurtar caminhos nas palavras que escolhi. Sinto novamente a mágoa por meu time não ter vencido e por mais que se sintam por mim traídos ou ofendidos é por um argentino que torço assim. Olho para os retratos eletrônicos em um computador e fico extasiado com as possibilidades - são fotos que não têm mais fim. Transformei-me no poeta do acontecido, no profeta de um assunto definido ou no vidente do opróbrio da razão. Acordei com vontades de reverter passados; desejos de descrever os mais inexplicados casos de Sherlock Holmes, ou de Mortadelo e Salaminho nos clássicos de F. Ibañez. Atualmente estou lendo a biografia de um gênio e percebo o talento que eu tenho para ler, refletir e escrever mesmo assim. Deveria ter sido um piloto de avião, talvez um marinheiro ou um astronauta! Necessito de aventuras e caricatas formas de inspiração. Vejo o romantismo trocar de nome, o apelo ser vergonhoso ou feio, vejo a rosa no ócio de não ser mais presente de ninguém. Poetas se escondem em papéis, e mentem que assim o fazem, e assim o são. O mundo está mais feio. Muito mais feio que o pequeno príncipe um dia achou. Sou louco a ponto de escrever diversos temas em um único texto, mas faço pelo contexto deste mundo moderno… Que esqueceu que um dia por ele… Um de nós se apaixonou.
Um abraço.
quinta-feira, 5 de junho de 2008

QUESTÃO DE COSTUME
Sempre que o Inter perde, eu viro para o lado e digo em voz baixa: que merda! Mas é só isso. Não tenho maiores problemas para conviver com a derrota colorada. Tive problemas foi para administrar um Mundial, uma Libertadores e uma Recopa. Isso sim é que foi difícil! Lembro do Mundial: eu na Goethe com amigos que a todo instante precisavam me lembrar que tínhamos conquistado o mundial. É mesmo! (Pensava eu de forma educada). A Libertadores foi mais hilária ainda, devido ao frio preferi ir pra casa, ao invés de comemorar. E estava de férias do serviço! A Recopa foi algo do tipo: que bom completamos a tríplice qualquer coisa. Com o Inter funciona assim (para mim é claro). As derrotas do Grêmio são mais difíceis de administrar ou compreender. Questão de hábito ou até costume. Na verdade tudo isso é razoavelmente explicável: As instituições nos acostumam através dos anos e de suas trajetórias. O Inter me acostumou a aceitar as derrotas, os fracassos e suas mortes na praia! O Grêmio me acostumou a vê-lo vencer. Sempre vencer, exceto nos rebaixamentos (que não tiveram a ver com a historia do clube, e sim com a incompetência de alguns dirigentes) e de formas caricatamente sofridas. O time das fortes emoções! Já o Inter por não ter construído em minha vida essa habitualidade com as conquistas, fez com que não sofresse, e até passasse despercebido a esta ou àquela vitoria colorada. Ontem sofri. Ontem dei soco na cama, ontem machuquei a mão na parede, comi as unhas e tive imensa dificuldade para dormir. Por quê? Porque foi o Boca! O grande Boca de La Bonboñera que aprendi a admirar e amar. Foi este imenso clube que ontem perdeu. Definitivamente… O Boca não tinha me ensinado a vê-lo perder.
Um abraço.
terça-feira, 3 de junho de 2008

No Brasil dizem que deus é brasileiro! Talvez seja pretensão, ou simplesmente o desejo de um povo que necessita da proximidade com o pai ou a simples cumplicidade com o criador. Em alguns países da África existe a convicção de que deus é racista, ou não criou aquele pedaço de mundo. É aceitável, e facilmente compreensível, tendo em vista a calamidade que se vive em locais que arqueólogos definem como o berço da humanidade. E pra explicar que foram os primeiros a serem criados e agora caíram no esquecimento? Já nos Estados Unidos a briga é por definir se deus é republicano ou democrata – velha forma de teocraticamente manter uma superpotência através de um deus – e essa briga vai longe! Enquanto no antigo mundo retomam a reforma de 1517 para repartirem fieis entre o papa e os discípulos de Lutero e João Calvino. Uns não querem a tradução literal da bíblia (por medo de perderem seus santos e falsos deuses) e os outros brigam justamente por isso. Depois temos que agüentar a Alemanha (que trocou de deus ao menos duas vezes na historia) retornando ao cristianismo com maior fervor que toda a Europa, cabe lembrar que os alemães chegaram ao cúmulo de retirar a cruz de suas igrejas substituindo pela cruz gamada (suástica) de Hitler! E como se não bastasse, acreditaram que o führer era o verdadeiro messias. Eu não teria tanta convicção ao dizer que aprenderam com a retaliação, ou que não tentarão aprontar de novo. É o tal de joga pra lá e devolve pra cá que o próprio deus deve acabar se enojando de tamanha briga pela paternidade de quem deveria ser o pai. Mudam a religião, mudam o nome e o conceito, mas no fundo o deus é o mesmo! E no fundo, no fundo mesmo… Eu não sou o único a desacreditar.
Um abraço.
segunda-feira, 2 de junho de 2008

Um final de semana em recuperação da gripe que aumentou! Deitei sábado para descansar por volta das dez da manha. Após ter mexido ovos com calabresa – faltou bacon – e olhar para minha estante, percebi que ainda tenho oito livros para ler! Optei pelo pequeno, porém interessante “a cruz de Hitler” de Erwin Lutzer. Um livro surpreendente que quase terminei ainda no final de semana. A gripe prejudicando os movimentos, mas possibilitando o ócio suficiente para a leitura. Caminhando em direção ao banho, tossia espirrava e grunhia devido a dores no corpo e na cabeça. Barba? não fiz um dia sequer no final de semana. Não tirei a toca-manta (sabe aquela que parece toca de duende?) um minuto! E arrastava os pés pelo chão como se tivesse no mínimo cinqüenta anos mais que os meus já passados trinta e um! Coisa triste diria minha vó! Parecia o avatar da calamidade humana, mas para onde ia levava o livro de arrasto, na ânsia de concluir a leitura. Após o almoço deitei e dormi. Duas horas! Duas horas de sono ininterrupto até o momento de receber uma ligação em meu celular e lembrar que ainda faltavam mais de cem paginas! Para resumir com brevidade a obra, trata-se de uma retomada aos percalços eclesiásticos protagonizados pelas diversas facções religiosas na Alemanha Nacional Socialista (nazista), e sem dúvidas um livro que nos faz pensar, pensar… E pensar, a respeito dos grandes líderes e do perigoso poder de persuasão. Após a leitura fui dormir (isso já no domingo) convicto que a historia da humanidade é calamitosa por natureza, que assuntos relacionados a guerras precisam ser lidos e relidos para que não caiamos no perigo de criar novos Hitlers. A gripe não passou, a historia do holocausto não mudou, mas agora faltam apenas trinta páginas para que eu possa reduzir a sete! Sete livros para ler.
Um abraço.