sexta-feira, 27 de junho de 2008
Dia atípico

Não sinto vontade; não sinto amor; estou baixo astral. Olhares hipnotizantes são aqueles que piscam como quadrinhos de mangá! E sua boca carrega em código de barras o seu preço. Melhor não saber o valor. O amor verte pelas veias e por abismos; portas abertas esperam a entrada de coveiros, mas isto eu li em livros, um dia destes qualquer. Seu andar me impressiona e então disfarço meu desejo, minha vontade de escrever. Ontem o paraíso me reservou parágrafos de fé na fé! E deparei-me com pessoas hipócritas que oram nas manhas para pecarem quase, na hora da refeição. É… Uma vida regrada à regressão, e talvez perca o foco, retorne pouco a pouco a montar nossa diversão. Acordei em um emaranhado de idéias e estou tentando colocá-las no papel. Está frio lá fora; vejo pássaros voando baixo, olho para o lado e respiro mais um pouco (essa subida me cansa sempre), mas é preciso resistir. Muitos degraus; então opto por parar. Seus cabelos estão diferentes da diferença que eu tinha percebido, mas ainda não são como eram os originais. Entregaram-me a água; tomarei o remédio; o cão late na esquina daquele prédio, e apenas pra rimar, decido definir meu dia usando a palavra tédio. Leio rimas pobres e cansativas em apostilas, que trazem versinhos lusitanos! Só pra variar. Respiro bem fundo, ou inflo o peito como ouvi de um filosofo. Seus cabelos me enlouquecem ou ao menos dos cabelos posso ter a liberdade de falar; tomo outro gole de água e lembro que o café está pronto; minha vida tem se resumido desta forma: escrevo o que sinto, e sinto que deveria não ter escrito o que escrevi. Confuso… Meus pais estão em igual situação; A mãe já faleceu; e o pai decidiu que também morrerá. Cães continuam latindo e eu aqui resistindo a finalizar o que escrevi. Olho para o lado e vejo garotos trabalhando com afinco. O mesmo que eu tive, quando da mesma idade desses guris. Olho para o outro lado e vejo o céu cinéreo reservando tormentas para depois. Continuo vendo estrelas em meio ao sol e chuvas sem uma nuvem sequer. Termino os ensaios de filosofia e leio Gabriel Garcia Marquez. Bom, muito bom mesmo… Como todos os seus outros livros que ainda não li! Olho para a estante e discordo de Raul Seixas, eles dizem muita coisa importante, mesmo quando dizem justamente aquilo que não entendi. E seus cabelos continuam esvoaçantes e me perturbando a calma, e o dia como um todo. Não importa o que faça, vejo sempre seu semblante pintado de estrelinhas e sorridente como o sol em livros infantis. O carro faz barulho na rua; o motoqueiro senta defronte minha mesa; quer trabalho ou não quer nada. Prefiro dar-lhe trabalho ou não concluirei o pensamento. Meus passos seguem com olhos para o chão e ainda que tente resistir é assim que ando; por isso não me tornei um jogador de futebol. No Máximo joguei bola! Campo de terra com buracos; par ou impar!?! Eu quero o fulano! Cicrano é nosso! Jogo de bola… Futebol nunca! Precisaria olhar para frente e até dependendo da complexidade do certame: cabecear de olhos abertos! Mas seus cabelos me perturbam… Devolvem minha razão de existir, e concluo o texto respirando de forma suspirada ao vê-la subir degraus. Quero a inexistência da breguice, mas que exista só se for em detrimento da dança do creu e todas as chinelagens que a envolvem. Quero a transpiração da última gota de meu suor, mas quero entender a humanidade ao meu redor enquanto seu cabelo me enlouquecer, e quando no futuro meu ímpeto tombar e enfraquecer… Direi que te amo; direi que te quero; e que te amarei até o fim.
Um abraço.
criado por poetacronista
09:49:41 — Arquivado em: 

Comentário por Marcos Botelho — sexta-feira, 27 de junho de 2008 @ 17:11:13
E ae cara!
POxa, muito legal o texo me identifiquei em várias partes, algumas com momento que estou vivendo como a descepção com certas “pessoas”.
O “baixo astral”. MAs o fato é que ainda há pessoas boas no mundo (ao menos temo que acreditar nisso).
Até mais!
Abraço
“minha vida tem se resumido desta forma: escrevo o que sinto, e sinto que deveria não ter escrito o que escrevi.”
Essa foi genial…
Comentário por Marcos Botelho — sexta-feira, 27 de junho de 2008 @ 17:18:36
E ae cara!
POxa, muito legal o texo me identifiquei em várias partes, algumas com momento que estou vivendo como a descepção com certas “pessoas”.
O “baixo astral”. MAs o fato é que ainda há pessoas boas no mundo (ao menos temo que acreditar nisso).
Até mais!
Abraço
“minha vida tem se resumido desta forma: escrevo o que sinto, e sinto que deveria não ter escrito o que escrevi.”
Essa foi genial…