sexta-feira, 13 de junho de 2008
Meu cabelo está grande nos flancos!

A presença dos primeiros grisalhos demonstra a precoce, porém notória, maturidade florescida. Muitos pensam que eu deveria raspá-los (como faço de costume), mas já os comunico: no inverno terei sempre maior precaução com os resfriados e com a necessidade urgente de comprar uma touca. Depois desta providência, irei sim analisar com carinho a sugestão - quase exigência - dos observadores da calvície alheia. Tenho pouco mais de trinta anos, mas confesso que apresento ares de envelhecimento sempre que deixo de tirar os fios de cabelo espraiados de forma heterogênea ao logo de minha cabeça. Talvez neste final de semana vá ao cabeleireiro, talvez compre a touca, mas também há a hipótese de deixar tudo como está. Ouvi de um famoso jornalista gaúcho (evidente que em tom de brincadeira) que no Rio Grande do Sul, frio é abaixo de zero e que temperaturas na casa dos seis ou sete graus é apenas “fresquinho”! É obvio que este jornalista possui cabelo em toda sua cabeça. Alguns preconceitos tenho perdido; um deles – talvez o principal – refere-se a roupa que uso. Desde que me tornei um homem careca, passei a usar calcas sociais, camisas e gravatas, por achar que este visual fosse mais condizente com a notória calvície. Hoje, após muito esforço (de minha namorada), começo a rever conceitos utilizando calças moderninhas e tênis antes inadmissíveis em meu visual ortodoxamente conservador. Tenho agradado mais; meu filho sente-se melhor quando me visto “como ele”, mesmo que não diga absolutamente nada, consigo perceber seu contentamento. Fui um adolescente de cabelos longos e crespos; hoje um adulto de flancos grisalhos e topo desprotegido perante o frio de nossa pampa gaucha, mas satisfeito em ter assunto para escrever, mesmo que hoje, o assunto seja os cabelos que perdi.
Um abraço.
criado por poetacronista
10:59:30 — Arquivado em: 
