sexta-feira, 23 de maio de 2008
Escrever para quem?

Sou tomado de sinceridades desonestas. Procuro dizer o que penso e até escrever, mas não vivo do que gosto, e até minto para mim de propósito no afã de controlar decepções. Sou o típico escritor que gostaria de viver da escrita mas devido às impossibilidades de um país que não valoriza seu artista, insiste em trabalhar em outra área. São textos escritos diariamente apenas para colorir gavetas e no Maximo atingir elogios em um simples, porém "ajeitado" blog na internet. Textos e mais textos, poesias, poemas e poemetos, crônicas, ensaios pretensamente filosóficos e até mesmo dois romances inacabados e talvez jamais retomados para conclusão. Um escritor! Assim me rotulo e me frustro cada vez que vejo uma criança, ou um adulto, preferindo ver televisão ao ler um bom livro. Tenho exemplos em casa mesmo, tenho exemplos na família, e de tantos exemplos caio no ostracismo de sentir-me injustiçado beirando à loucura de um "quase" altista em seu quarto. Hoje fiz poesia e a publiquei, fiz crônica e não gostei, mas amanhã o sentimento será o mesmo de hoje e de ontem. Certamente me frustrarei ao ver que pessoas cultas lêem a vida inteira, estudam a vida inteira, para atingirem o auge de suas vidas comandando programas de auditório que ensinam as pessoas a fazerem o inverso do que elas fizeram. É a discrepância da vida globalizada! É a teimosa insistência de um poeta e sua obra. É a tristeza, a extrema tristeza deste poeta a enlouquecer. Uma sexta-feira, por si só, exigiria um texto mais animado, ou talvez uma poesia apaixonada, mas vivo para escrever o estado de espírito que me encontro, ou talvez o espírito do estado em que vivemos. Alguns leitores se incomodam dizendo que se contesto tanto o Brasil eu deveria me mudar. A questão pra mim é muito simples: se moro aqui, tenho obrigação de apontar erros e tentar solucioná-los, mas se algumas pessoas insistem em achar que devemos ostentar apenas patriotismo, que continuem vivendo em seus mundos de alienação. Continuem assistindo ao casal que encerra as noticias com o já imortalizado… Boa Noite! Eu prefiro manter meu também já imortal:
Um abraço.
criado por poetacronista
15:15:39 — Arquivado em: 

Comentário por Leonardo Halfen — segunda-feira, 26 de maio de 2008 @ 12:04:45
Pois é caro amigo.. me indentifiquei muito com esta crônica aliás queria dizer que esse texto está muito bom. Estou acustumado aos seus elogios e seu incentivo. Por isso me indentifico com o seu drama também.. as vezes penso para quê escrever ? ou melhor ainda…para quem ? Dá vontade sim de desisitir e de não postar mais nada como não tenho feito. Na realidade é um problema que vai mais além.. e não vou parar, porque gosto disso. Talvez seja vocação, talento, não sei ao certo. Sei que gosto disso e se acreditarmos sim, poderemos realizar nosso sonho que é ver as pessoas lendo e gostando. Acho que o Niemayer sim têm razão. O problema das pessoas é ler, eles não lêem só fingem que são cultas. Um abraço e continue escrevendo pois aqui ainda poderá encontrar um grande incentivador…
ABRAÇO!
Comentário por LadyPoetry — quarta-feira, 28 de maio de 2008 @ 17:40:26
Muito bom o seu texto!!
Infelizmente a maioria das pessoas prefere ver televisão a ler um bom livro e é assim que nosso país constrói espectadores da festa da minoria e da tristeza de um povo que concorda com o famoso e antigo pão e circo.
Um abraço!!!