sexta-feira, 30 de maio de 2008

A curiosidade da vida de um homem é a semelhança entre todos os que procuram a vitória. Assim como em um certame futebolístico, vejo pessoas que já nascem fadadas a não cair para a segunda divisão, outros se contentam com vaga para a sul americana ou libertadores, mas poucos, muitos poucos mesmo, nascem para brigar pelo título. Eu me considero o azarão, ou melhor, a zebra. Eu e mais alguns milhões que não participaram de nenhum tipo de planejamento estratégico e sequer recebem reforços. O campeonato da vida não é disputado por vinte pessoas e sim por bilhões!, Mas também não existem só quatro vagas para a libertadores e muito menos um só campeão. Sou um azarão sim, mas não me rendo, não me entrego, e procuro ao menos ganhar em casa para “beliscar” uns pontinhos nos jogos fora. Escrever para mim é como poder dizer a todos a minha volta o que penso e o que sinto nas palavras a se formar. Escrever é a magia de poder redigir suspiros e até trocar sentimentos e amores nos versos de um poema. Escrever é deslizar por linhas gordas as últimas rimas da existência, e sem pressa ou desinteresse, ilustrar corações apaixonados através de um simples soneto em meu status quo. Se estas últimas frases, apoteoticamente poéticas e sinceras, não caracterizam uma vitória no certame da vida, ao menos, demonstram ofensividade e a marcação de um gol! Hoje mudarei o esquema; irei para o ataque escrevendo crônicas desnudas e totalmente despreocupadas como a estratégia de Napoleão em Waterloo! Muitas vezes se assustam comigo e acham até que tenho problemas mal resolvidos na infância. Não. Meus problemas começaram aos dezenove anos e mantiveram-se com o passar de todos os outros que em seqüência demonstraram esforço para me atingir. Por sorte a vida é disputada em mata-mata, porque se fosse em pontos corridos… Faltar-me-ia grupo para resistir.
Um abraço.
quinta-feira, 29 de maio de 2008

Mentes paranóicas e até atrapalhadas lembram de guerras como grandes feitos do homem em seu passado. Guerras pra mim serviram apenas para inspiração de meus brinquedos. Nunca tive autorama e talvez nem tenha, embora a fase mais que adulta não me impeça de comprá-lo, e muito menos de admitir este desejo. Os comandos em ação (tá aí a inspiração da guerra) eram legais. Davam a nítida impressão de ser a redução em miniatura do famoso falcom! Não lembro se era essa a escrita, mas certamente era nele a inspiração de todo homem da década de oitenta a deixar barba. Carrinhos de lomba eram feitos com o rolimã que se achava no terreno baldio, o mesmo que capinávamos, e após o corte de galhos e troncos (para fazer goleiras) ficava ao menos parecido com um campo de futebol! Fiz, ou melhor, participei da criação de ao menos cinco! Lembro em especial de um que não deu certo. Falou-se tanto no tal do campo que após tanto papo acabou não dando em nada. Espero que o Olímpico e o Beira rio não sigam este exemplo e seus formidáveis projetos saiam do papel. Voltando aos brinquedos, tive um carrinho que se injetava corda com uma pistola, não lembro o nome mas era legal. Legal mesmo era sair pelas ruas de minha saudosa Alvorada (saudosa porque aquela não existe mais) e procurar bolas de taco perdidas pra jogar com a gurizada. Hoje vejo meu filho jogando vídeo game e penso: se em minha infância me apresentassem o tal do Orkut, eu largaria os comandos em ação? Abandonaria o falcom e o jogo de taco? E o carrinho de rolimã? Agora sei por que não lêem mais poesia: toda a evolução é incompatível com romantismo. E eu que criticava meu pai quando ele dizia que bom mesmo eram os Beatles.
Um abraço.

Dia de chuva; dia de frio; e talvez intensa umidade, significando mais que a chuva propriamente dita. Pessoas voando nas ruas em busca de abrigo, congestionamentos de guarda-chuvas, e a nítida impressão, que manquitola para sua inauguração breve, e nada modesta, mais um inverno gaúcho. Olhares atabalhoados colorem a paisagem cinérea, justificada pela ausência do sol, e pela notória presença de névoas esvoaçantes. Cachorros eu não vejo nas ruas, talvez estejam nos subúrbios, talvez nem lá. Pássaros certamente resguardam-se dentro de seus ninhos e voam (os que podem) em busca de lugares mais quentes, ou ao menos, mais secos para se viver. É a porto alegre já no mês de maio dando os primeiros sinais que a pipoca e os filmes se transformarão, pelo menos por um bom tempo, na primeira opção para os finais de semana. Costumo ficar nostálgico, frágil em sentimentos e até choroso! nestes dias de umidade relativa alta e presença de chuvas constante. Meu filho está crescendo, o mundo está mudando e eu vendo na chuva e no frio, os motivos para a poesia que não escrevi, para o conto que esqueci, e talvez para o bolo ou a torta, quiçá sopa! Que aprenderei a fazer.
Um abraço.

Olhei para o espelho e perguntei: quem sou eu afinal? Não é a imitação de um prenúncio antigo do Zé do Caixão e muito menos algum tipo de plágio a novela que rei sou eu?, não é isso! Apenas fiquei em dúvida se havia perdido algum pedaço de minha identidade ou se realmente o ser humano tem a tendência de mudar e evoluir em gestos, gostos e atitudes. Em alguns pontos não mudei - por caracterizarem convicção - e convicção sabemos que morre junto com a gente por mais estúpida e desnecessária que possa ser (vide alguns técnicos de futebol) mas realmente tenho me “achado” estranho ou até descaracterizado ultimamente. Semana passada “me vi” lendo filosofia grega ortodoxa, e ouvindo a Sinfônica de Leningrado! E pior: gostei do que fiz. São gostos e tendências de um homem, já não tão jovem quanto antes, tentando recuperar o tempo perdido em uma juventude que por “bloqueios e pré-conceitos” só permitia ouvir rock n roll. As coisas mudam. Aos trinta descobri Caetano, Chico, Toquinho, Vinicius e outros mais. Descobri que no Brasil já se fez música, mas também descobri que as “porcarias” já se fazia há muito tempo atrás. Mudei a forma de vestir e caminhar. Mudei a forma de rir e até de chorar. Cresci, alguns acham até que envelheci, mas o certo mesmo é que aprendi a diferenciar tempos atitudes e épocas. Aprendi que manias, por mais chatas que possam ser, surgem com o tempo e só os outros podem nos apontar. Acho que ando meio chato, mas mais culto também.
Um abraço.
quarta-feira, 28 de maio de 2008

A historia da humanidade sempre nos foca e desloca na ínfima integridade da clausura mortuária. Vivemos na península laica das idéias, ou na maior das esfinges destruídas pelas vertentes de um povo piramidal. Somos os amores apenas de quem nos ama e talvez os horrores de quem não. Voltamos de dois mil anos e idéias, carregamos templos, milagres, segredos e lugares para uma jornada sempre em vão. Somos filantrópicos e altruístas sem querer. Somos também egoístas no paradoxo da maldade, na mentira de uma humanidade que se diz… Seres racionais! Não deveríamos controlar os ímpetos, talvez devêssemos dizer o que pensamos e até chegar ao retrocesso de renovar todos santos, com seus pecados capitais. Cremos na santa palavra que não vimos, na eucaristia da hipócrita casa santa, cremos na tendência suicida de nossos santos e até na longa jornada de Maomé! Somos tão vagos e dispersivos quanto este texto! Somos os minúsculos descendentes de um macaco que não nos copiou! Olhamos na beira do precipício e chegamos o mais na beira que conseguimos, mesmo tendo medo de ali ficar. É o ápice da loucura e o desejo da tortura nos martelando em nossos saborosos filmes de horror! Temos a vontade de fazer o que não podemos, consumimos quando jovens tudo aquilo que proíbem e esquecemos que amor e altruísmo são necessários por serem bonitos… e não porque alguém nos falou. Cansei da poesia retumbante, cansei até de recitar como fazia antes, quero agora machucar os que não gostam, mas apenas em palavras mesmo sendo de propósito procurarei o meu amor. Em alma gêmea não acredito, ou melhor, não acredito na tal da alma que é de ferro e atravessa o violão! Hoje sentei em frente do teclado e decidi escrever um texto educado pra não magoar quem se faz leitor. Não teve jeito, quando falo da igreja machuco a vontade alheia, mas agrado o inquisidor. Quando falo de futebol, correm feito porco que corcoveia, mas os torcedores dedicam a mim seu aplauso triunfal. Decidi então escrever o que sinto, nesta caminhada que não minto…
E apenas enfeito no final.
Um abraço.
sexta-feira, 23 de maio de 2008

Sou tomado de sinceridades desonestas. Procuro dizer o que penso e até escrever, mas não vivo do que gosto, e até minto para mim de propósito no afã de controlar decepções. Sou o típico escritor que gostaria de viver da escrita mas devido às impossibilidades de um país que não valoriza seu artista, insiste em trabalhar em outra área. São textos escritos diariamente apenas para colorir gavetas e no Maximo atingir elogios em um simples, porém "ajeitado" blog na internet. Textos e mais textos, poesias, poemas e poemetos, crônicas, ensaios pretensamente filosóficos e até mesmo dois romances inacabados e talvez jamais retomados para conclusão. Um escritor! Assim me rotulo e me frustro cada vez que vejo uma criança, ou um adulto, preferindo ver televisão ao ler um bom livro. Tenho exemplos em casa mesmo, tenho exemplos na família, e de tantos exemplos caio no ostracismo de sentir-me injustiçado beirando à loucura de um "quase" altista em seu quarto. Hoje fiz poesia e a publiquei, fiz crônica e não gostei, mas amanhã o sentimento será o mesmo de hoje e de ontem. Certamente me frustrarei ao ver que pessoas cultas lêem a vida inteira, estudam a vida inteira, para atingirem o auge de suas vidas comandando programas de auditório que ensinam as pessoas a fazerem o inverso do que elas fizeram. É a discrepância da vida globalizada! É a teimosa insistência de um poeta e sua obra. É a tristeza, a extrema tristeza deste poeta a enlouquecer. Uma sexta-feira, por si só, exigiria um texto mais animado, ou talvez uma poesia apaixonada, mas vivo para escrever o estado de espírito que me encontro, ou talvez o espírito do estado em que vivemos. Alguns leitores se incomodam dizendo que se contesto tanto o Brasil eu deveria me mudar. A questão pra mim é muito simples: se moro aqui, tenho obrigação de apontar erros e tentar solucioná-los, mas se algumas pessoas insistem em achar que devemos ostentar apenas patriotismo, que continuem vivendo em seus mundos de alienação. Continuem assistindo ao casal que encerra as noticias com o já imortalizado… Boa Noite! Eu prefiro manter meu também já imortal:
Um abraço.
terça-feira, 20 de maio de 2008

Entendo porque escritores e poetas, assim como eu, possuem grande dificuldade de emplacar seus trabalhos. O problema começa por “b” e termina com “l” e todos hipocritamente chamam de Pátria Amada Idolatrada Salve Salve. Este é o grande problema para a “não injeção” de cultura nos alicerces de nosso povo. Uma pátria injusta, organizada de forma incompetente e administrada por corruptos. Hipocrisia a parte, temos todos os dias “n” exemplos de artistas e “promissores intelectuais” mendigando pelas esquinas em busca de um emprego, que pague ao menos, o salário mínimo de direito. Um país que chega ao cúmulo de buscar em suas dimensões continentais a explicação para seus problemas, esquecendo que países como China e Estados Unidos são tão grandes quanto o nosso e "fedem" a ordem, progresso e evolução! E o nosso povo? Bem, este segue em sua hipócrita conduta aplaudindo a seleção e proclamando nosso hino como sendo o mais bonito, é… Não devem ter escutado o hino Americano ou o Francês! Pátria ingrata chamada Brasil! Não temos incentivo à cultura, não temos uma saúde decente e nos falta principalmente atitude e vergonha na cara. Somos um dos maiores exemplos de corrupção mundial e ainda caímos em erros absurdos de uma nação que construiu seu próprio circo da roubalheira, ou melhor, Juscelino construiu e nos mandou a conta. Em 1889 a Isabel aboliu a escravatura, mas até hoje a nossa pátria amada escraviza seu povo e ninguém faz nada. O que fazer? Qualquer coisa já é melhor que esperar 2010 para defronte a televisão cantar o hino e superar problemas com muitos gols. Não adianta, a mim não enganam e doa a quem doer! Para o Brasil deixo um pedido: mostre-me a porta dos fundos que prometo ir embora sem fazer barulho, ok?
Um abraço.
sexta-feira, 9 de maio de 2008

Ontem estive no Studio Clio (Jose do patrocínio, 698) para assistir ao “Encontros com o Professor”, talk show de Ruy Carlos Ostermann. O convidado desta vez, ou melhor os convidados, foram os integrantes da banda gaucha de pop rock, Nenhum de Nós. Uma conversa agradável e autobiográfica marcou o evento que ainda teve por parte dos músicos a “canja” de encerramento com sucessos como “paraíso” “Camila” e outras tantas. Uma grande banda que caminha para mais de vinte anos de estrada e principalmente convivência. Uma boa entrevista comandada por um gênio da crônica gaucha chamado Ruy Carlos Ostermann. Aos que me conhecem sabem que embora eu seja (e isto é fato) fã de carteirinha do Nenhum de Nós, fui para assistir o professor! No momento da “canja” creio que eu era o único a observar o semblante do Ruy ao invés de olhar para o grupo. Ruy é o filósofo que fala de futebol, que fala de musica, que fala da vida e que fala como ninguém! Ruy ensina (trocadilho oportunista, eu sei) a outros “grandes” apresentadores de talk show, que é sim possível ser um ilustre entrevistador sem que para isso seja preciso roubar a cena (que é e deve sempre ser) do entrevistado. Aprendi a admirar Ruy desde minha infância e agora que conheci o “Encontros” fiquei um pouco mais realizado. A certa altura do evento o microfone começou a passar pela platéia para que fizessem perguntas ao Nenhum de nós… não perguntei, pois seria “antiético” ou “desaconselhável” fazer perguntas ao entrevistador! Enfim, recomendo o encontros a todos os que admiram e buscam cultura, enquanto eu… irei sempre para assistir ao Professor (que é mestre) Ruy Carlos Ostermann.
Um abraço.
sexta-feira, 2 de maio de 2008

Olha só:
A poesia bate na porta e diz que sou poeta
e que por este simples (mas suficiente) motivo
devo dedicar-me a escrever poesias.
Não concordo, prefiro contos, crônicas
e pensamentos de todo dia.
Poesia é sem graça e talvez
até meio “ressaca” de quem não quer
escrever o que devia.
Penso, e se penso…
Um louco “chamado filosofo”
de sobrenome Descartes diz que logo existo!
É, ta mais pra filosofia
do que simples texto em poesia.
Prefiro continuar fugindo de estrofes metrificadas
e até de regras desalmadas
que me disseram pra usar um dia!
Poetas…
apenas uma gangue literária
que sangra pensamentos
de caráter piegas e pleonástico!
Poetas…
tenho alguns amigos
que não se intitulam mas o são!
Já outros…
decidiram que depois de cinqüenta anos
se tornaram… poetas!
Não! acho que daí já é falta do que fazer
e de como fazer!
Outrora poetas nasciam desta forma
e usavam este texto apenas para em entrelinhas
dizerem o que não se deve.
Agora…
Apenas gostam de massagear âmagos e egos
com o titulo: poeta!
Talvez devessem ler
navios negreiros e divinas comedias
no afã de aprender o valor…
e o real significado de poetas do passado.
Perceberiam com certeza
que de nada adianta ler estes textos horripilantes
sem gostar de Castro ou de Dante,
antes mesmo de suas poesias.
e antes que me critiquem
ou até me chamem de adjetivos
que acostumei a carregar sozinho,
lembrarei Quintana:
Vocês passarão, já eu…
Um abraço.