sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Pitangas amoras e camboins

Uma infância de fortes e inolvidáveis emoções,
uma criança ensaiando a vida no amanhecer
de um jovem adolescente de fiapos em rosto e dentes com poder.
Sempre meninas e aulas matadas, fontes de piadas,
beijos na boca, amigos e suas risadas,
uma adolescência muito louca
movimentada por jovens namoradores, garimpeiros de amores,
mas artilheiros sem temores… do time, do jogo, do torneio estudantil.
Foi minha mãe que me pariu!
E não adianta parafrasearem algo diferente.
Crianças, molecas formosas e desonestas,
mas sempre crianças arteiras e artistas…
No bairro renascentista, ou melhor,
na Alvorada comunista de prefeito maquiavélico.
Que saudade do tio do colégio que abria o portão
pra junto da multidão meus suspiros vencerem o tédio.
Ela tinha cheiro de hortelã!
Era a geração ping pong perfumada pelo sabor de seus chicletes.
E eu fazia o papel de marionete…
nas mãos sem vergonhas da dama da mobilete!
Todos queriam andar na "bicicleta quase moto"
imitando a musica dos cascaveletes.
Realmente um tempo ordinário que não esqueço, mas me esquece, exceto pelo nome riscado ou pela prece imortalizada
na pedra da quadra de futsal… Eu x ela. Ta lá escrito ainda,
com coração em volta e tudo!
Passam anos volto e voto e não sei porque que voto na escola de mirim!
Um dia encontro explicação, um dia quem sabe esqueçam o orkut, esqueçam o msn e lembrem da multidão. A inolvidável multidão adentrando ao colégio do tio velho do portão
que arranjava até remédio pra quem caísse com o joelho virado para o chão.
Às vezes me vejo mascando chiclete na quadra do colégio.
Muito cabelo e nenhuma barba, o maxilar com cãibra do chiclete
e a dama alucinando a molecada desfilando na mobilete.
Este tempo nunca mais! Pular a cerca era pular a cerca mesmo!
Ir para trás do colégio catar pitanga e amora,
subir no pé de camboim sem demora
e de lá trazer um pedaço como troféu.
Saudade do gosto de adolescência,
do sol entrando pela porta e temperando na sala o gosto da bergamota.
Saudade da laranja descascada pela mãe ou do pão de ló da vovó
que esperava a chuva pra fazer bolinho.
Lembranças do docinho da mãe do Pedro e do Paulinho
que convidavam os amigos pra festa de são João.
Mas hoje não como mais pitanga, não como mais amora,
não brigo de porrete de camboim!
Hoje sou homem porque um dia me fizeram assim.
hoje sinto a chuva com ar de quem tortura a roupa limpa,
enfim…
Hoje chego em casa e olho a porta enferrujada
E lembro…
Lembro que em outrora…
O pai consertaria a porta para mim.
Um abraço
criado por poetacronista
07:29:59 — Arquivado em: 
