quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Um cara legal

Apresento-lhes Eustrofino!
Um pacato ser de cultura medieval e conhecimentos filosóficos apurados. Nascido no ultimo quarto do século XX, Eustrofino desde cedo foi a figura marcante que conheci. Rígido no pensar e polemico em suas teses, caracterizou-se por falar aos sete ventos tudo o que pensava.
Certa vez Eustrofino em meio à conversa com amigos (ainda existiam amigos) disse que não acreditava em deus porque deus não havia lhe falado. Era convicto, se deus existisse já teria o procurado para saber de suas idéias.
Egocêntrico, como todo filosofo, egocêntrico. Tinha por tese que Cristo não havia passado de um filosofo. Segundo suas teses Cristo tinha todos os requisitos de um filosofo. Segundo Eustrofino todos eles (filósofos) eram inferiores a ele próprio, mas isto até certo momento de sua vida, não o fizera um sujeito detestável.
Tinha adoradores e admiradores, é a palavra admiradores se encaixa melhor no sentimento que este caricato e inteligentíssimo ser protagonizava em seus relacionados. Era jovem e inteligente. Sagaz, arrogante e presunçoso. A historia de Eustrofino resume-se em dois períodos. O antes e o depois de sua perda de sentidos.
Era normal, aceitável e até esperado que o jovem atingisse a demência levando-se em conta a forma arrogante e auto-suficiente com que vivia. Mas a “gota d´água” foi justamente aquela bela tarde de verão…
Uma tarde ensolarada de calor insuportável estendia-se junto à planície de um rio. Amigos conversando, bebericando cervejas e degustando alguns acepipes. Eustrofino chegando de mansinho percebe que a discussão era sobre política, futebol e religião. Assuntos que dizia não discutir, mas sempre faltava com a verdade trazendo a tona suas marcantes e defenestrantes posições.
Foi então que Eustrofino declarou seu amor ao ateísmo, seu ódio ao comunismo e sua indiferença (beirando a escárnio) em relação aos torcedores.
Certamente aquele foi um dia marcante. Um divisor de águas para um jovem que a partir daquele momento estaria sendo abandonado por todos os amigos de sua volta. A solidão. A solidão lhe faria companhia até os últimos de seus megalomaníacos e egocêntricos dias de vida.
Filho de família pobre e formação estudantil precária, Eustrofino sempre fora um aluno dedicado. Ainda criança demonstrou suas primeiras insatisfações com a criação espírita-kardecista. Fato que fez seu pai isentá-lo da obrigatoriedade de freqüentar as sessões de “passes” com sua mãe e irmãos.
Uma historia marcada por revoltas sem motivo. Opiniões polêmicas e assuntos destrutivos. Paixão, ou até amor em machucar seus próximos, que em sua cabeça chamava de opositores.
Sempre teve a convicção de ser o dono da verdade. Provedor da maldade e cizânia. E sempre, realmente sempre deturpou os conceitos de, qualidades e defeitos, até o auge de sua incoerência quando definiu que moral e bons princípios eram defeitos que surgiam acompanhados da não menos prejudicial compaixão.
Em vida combateu os princípios religiosos, com maior veemência para com o catolicismo, que sentia verdadeiro asco. Ateu, agnóstico e cético. Posições essas que externava com o maior de todos os orgulhos. Sujeito provido de galhardia e romantismo em total discrepância com seus conceitos maquiavélicos.
Um ser acima de seu tempo! Era essa sua autobiográfica definição. Um semideus! Um ser provido de intelecto invejável e merecedor de aplausos e reconhecimentos por parte de todos que o circundavam.
Conheci Eustrofino,
Gostei dele, tive-lhe como irmão, mas ontem espero que tenha morrido. Ou ao menos se escondido por toda a eternidade.
Um abraço.
criado por poetacronista
12:55:14 — Arquivado em: 
