sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
eu também quero velejar!

Ah, que inveja do político
que veleja na baia da Guanabara
enquanto o povo de trabalhar não para e sustenta o iate.
E tem o cachorro que late nos pés do carteiro
que faz um mês que come o mesmo carreteiro
e anda cansado de mordida.
Sem falar na ferida do peito machucado
pelo filho magoado em ser o único a vestir mal.
E o traje do lalau?
Ah, bem que podia ser do lixeiro
que limpa nossa rua, mas pra roupa falta dinheiro
e isso é o ano inteiro, mas ano que vem tem eleição.
Já to vendo votarem no patrão
que prometeu churrasco com cerveja
ah, quanta fome e sede que incendeia
e agora é o céu quem me clareia
dizendo que deus vai ajudar!
Tudo sobra pro mesmo deus
que deve ser um baita de um ateu ou magnata
ou talvez não goste de gravata
e com bermuda convida o rico a velejar.
Sobra mais pros pobres,
mas é mais cachaça e dele porre!
Pra agüentar esta vida assim.
Talvez seja até o fim
o fim de uma vida de apologia a pobreza
onde a bíblia com clareza
diz serem bem aventurados os necessitados.
Que seja mal aventurado, mas seja rico!
Não me importo mais com isso
eu quero matar a inveja
pra que digam que quem veleja
é o poeta escritor.
E paro por aqui.
um abraço.
criado por poetacronista
09:35:55 — Arquivado em: 
