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quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A solidão de João Brasil II

 

Então João chegou tarde…

Era tarde para recomeçar, tarde para tentar apagar cicatrizes, ou até para andar novamente. Queria tudo. Queria tudo como havia sido um dia. Sonhos… Majestosos sonhos de um amor clandestino. Na evidência do impossível João percorreu os inescrupulosos caminhos da vida cotidiana.

Tentou redesenhar a esfinge utilizando arquiteturas modernas. Passou a projetar cores esverdeadas para o mar vermelho. Buscou fotos do passado para que abraçado pudesse ter forças em sua busca. A torre de pisa endireitou-se em seu pensamento, e tudo… Tudo era para presentear os remotos deslizes de seu peito.

Após o berço, João tentou a magnífica claridade da lua para iluminar seus gestos, seus cativantes e infindáveis desejos. Era a sorte, era a sorte que batera a sua porta. João então escalou o Everest de sua mortifica lápide obscura.

Caminhos… Redemoinhos… Furacões e tudo mais. Não havia percursos amenos. Também não existiam obstáculos que o fizessem parar. Tudo era vencido, tudo absorvido em uma luta sublime e desleal.

Os anos iam passando e com eles os obstáculos ficavam maiores e pujantes. Tinha de desistir… Tinha de sobreviver de outra forma, mas João não queria. João objetivava a gloria. A inconteste glória do amor.

Mudou de ares (várias vezes), mudou de companhias (dezenas de vezes) mas caiu, sucumbiu diante da mesma rotina, do mesmo destino e da mesma angustia. Via pessoas alegres, pessoas vivendo, pessoas… Sequer sentia-se como sendo uma.

Então veio a grande alegria. O desejo. A vontade. A esperança de seguir tentando, em um simples gesto de deixar rolar…

A historia passava a desenhar outro capítulo. Agora João tinha a vicissitude de quem sabia o que fazer. Então reuniu amigos (do passado) e com eles fez a maior de todas as festas. Conheceu pessoas novas, conheceu mulheres e voltou a sorrir.

Ninguém, absolutamente ninguém de suas relações entendeu o que João havia feito para mudar repentinamente. Mas devido a sua alegria decidiram não perguntar. Decidiram aplaudir o retorno do amigo à vida, ao convívio de todos os seres, mesmo que para isso precisassem “não entender algo”.

Os anos passaram. Os dias correram. A vida lhe trouxe um herdeiro. E ao que tudo indicava, João era realmente outro homem! Sempre dizia aos amigos que a empresa em que trabalhava tinha sido a responsável por sua mudança.

Maquiar a verdade sempre fora sua característica. Nunca fora taxado de mentiroso, mas nublar as mágoas e angústias… Era algo que realmente fazia.

O que ninguém sabia é que o trabalho realmente lhe dera muitos ensinamentos, e com todos eles adquirira o maior. O de chegar todos os dias em sua casa… Abrir a gaveta… E dizer – e aí meu! Tudo bem? Depois deitava para relaxar.

João tinha aprendido a viver com o coração na gaveta.

 

Um abraço.

criado por poetacronista    19:18:57 — Arquivado em: Sem categoria

tá legal… eu me rendo!

 

falarei do Corinthians!

 

Enquanto todos seguem falando do rebaixamento do Corinthians (confesso que também assisti ao jogo) prefiro dar por encerrado o caso e voltar para as questões poéticas de minha vida.

Também acompanhei o sofrimento do povo corintiano e tive sensações híbridas em relação ao fato. Ora feliz (manutenção de um coloradismo regado por sentimentos de vingança) ora entristecido, pela frustração de um povo que faz tudo por seu time do coração.

Este é o futebol. Este é o fascínio de um esporte que até guerras já paralisou em seus eventos. Hoje escrevo a este respeito, devido a vários pedidos por e-mail para que assim o fizesse. Vejo o futebol de forma poética e me encanto!

Mas não são esses quesitos de torcida e suas megalomanias que me atraem, ao menos não mais. Encanto-me com o futebol estratégia, com a disposição tática geométrica e até teatral! Ali sim. Nas quatro linhas, nas manobras de dois exércitos, ou no simples semblante de um impávido enxadrista.

São estas as comparações que faço com o esporte bretão, que me levam a poesia em papel verde e riscado.

Mas meus conceitos poéticos e inspiradores não se resumem ao futebol. Vão adiante na música (muitas vezes composta pela própria poesia) no teatro, no caminhar desajeitado de um ganso ou pato, que chego a pensar que a prosa não é minha arte.

Ouvi de um amigo que meus textos são muito bons, mas que “como escritor ainda sou um ótimo poeta” não sei ao certo se devo ficar triste ou feliz com este e-mail recebido.

Talvez vocês saibam me responder, ou não?

Um abraço.

criado por poetacronista    07:20:48 — Arquivado em: Sem categoria
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