segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
minha terra

Eu não nasci,
na verdade surgi na margem de um horizonte
desaguado por um estuário que ta mais pra lago
e todos chamam de Guaíba. Nesta cidade proibida
que tantos homenagearam, e eu relutando em feridas,
custei a tombar meu porto amado.
Cidade que nasci, não cresci nem residi,
e só aos vinte três quase retornando meu saturno
fui morar aqui. Amo nunca nego, e logo reclamo,
destes que não enxergam o encanto
que escondeste sempre em ti.
Porto Alegre dos passeios de guri!
Talvez às vezes triste como a ode de cigano
que com propriedade também a elogiou.
Sou louco por ti meu porto, minha terra natal,
minha rua fatal… Desenhada em todos cantos.
todos prantos ou até no sorriso de um folião no carnaval.
Foi neste porto que comecei a poetar, nele pude também avistar,
os encantos de muitos bares, muitos gols olímpicos e beira rios.
Ah porto alegre de meu sonho contrastado!
Minha dolência, minha plenitude e incoerência,
antes mesmo de ser poeta.
Hoje declino em teu reclame
lhe faço cidade lhe faço analgésico
lhe faço desenho prédio a prédio em um papel.
A cidade bela até no bordel
na casa de massas no restaurante
com uvas passas na sobremesa a rigor.
Porto alegre meu amor!
Minha cidade com “c” maiúsculo
com tantos atributos que um poeta sente falta de ser cantor.
Saio da margem de teu lago chamado rio
sigo as curvas destas ruas inteligentes
pela forma negligente que lhe fizeram confusas.
Hoje escrevo a minha terra. esta que fica no rio grande
mas não amo feito gente grande, a província por assim ser.
Sou porto alegrense por dizer
se sou gaúcho ou carioca…
talvez paulista ou capixaba, não importa
o estado que se falava é a cidade que me abraça.
Que me tem. Que filho me fez e que chamo de alegre.
Este porto, meu conforto, minhas lagrimas, minhas palmas
meu futuro de passado sempre presente.
Porto alegre alçapão de meus defeitos,
calabouço dos desejos e vitrine!
Vitrine das alegrias e dos lampejos
deste pobre poeta por ela apaixonado
emocionado por aqui viver.
Não nasci! Não poderia me dar o direito.
Fui encontrado com respeito neste porto ensolarado.
Um dia minha cidade a vida encerrará em sua maldade
e ali estarei eu, de mala, chapéu, bengala
pedindo para não ir pro céu!
Quero adentrar em tuas águas
me banhar de suas algas
morrendo no porto que me gerou alegre.
criado por poetacronista
19:45:19 — Arquivado em: 



