sábado, 13 de outubro de 2007
Jogo de taco

Acordei meio ranzinza.
Reclamando de tudo a minha volta. Achei que as paredes deviam estar mais brancas, assim como os móveis que estavam sujos. Não falo de poeira, achei eles sujos mesmos, sabem… Aquelas crostas de sujeira? Pois é, percebi farelos pelo chão, e sem falar nos azulejos do banheiro, um horror! Então decidi sair para ”pegar um ar” antes de criar a coragem de iniciar a faxina.
Quando cheguei no portão do meu prédio olhei para o pátio da escola que fica em frente e vi garotos jogando taco! É… Taco, com direito a latas de azeite para substituir a “casinha”. Exatamente como jogava em minha infância, com lata de azeite! Meu pai sempre dizia que no seu tempo as casinhas de madeira eram melhores, mas eu nunca descobri o que eram as tais casinhas. Divertido mesmo eram as latas de azeite.
E ali estava eu, assistindo os garotos jogando taco. Sentei-me na calçada e fiquei rindo sozinho, sempre com o cuidado para que não vissem minha alegria e chamassem-me de louco. O pior seria se me chamassem para jogar junto, não! Não conseguiria passar pela vergonha de ouvir algo do tipo… “ei tio quer jogar com a gente?” tio? Não, realmente não suportaria tal vergonha. Mas para aí… seria pior ainda se me chamassem de coroa, não é? É! Coroa seria pior.
Mas enfim, fiquei assistindo, e a esta altura não enxergava mais o que ocorria na quadra do colégio. Apenas ouvindo as vozes da “gurizada” e retornando a adolescência nas fantásticas partidas de taco! Será que depois iriam jogar bulita? Ou quem sabe sela?
O importante é que voltei para casa sem a revolta que me tirara do apartamento, e pude perceber que não existia sujeira alguma.
Preciso “pegar um ar” mais vezes.
Um abraço.
criado por poetacronista
11:53:07 — Arquivado em: 
